
MOGI GUAÇU – A moto virou o elo mais frágil — e o mais letal — do trânsito paulista. O Infosiga, sistema estadual de monitoramento, registrou 1.830 mortes de motociclistas entre janeiro e agosto de 2026, o maior número para o período desde o início da série histórica, em 2015. O recorde estadual se reflete em estrada por estrada na região de Mogi Guaçu, onde os acidentes fatais com motos se sucedem nos últimos anos e alimentam a preocupação de moradores, motoboys e famílias que usam a moto como veículo de trabalho e de vida.
O dado do estado é suficiente para medir a dimensão: 1.830 vidas em oito meses. Na capital, foram 379 óbitos de motociclistas de janeiro a setembro — um a cada 17 horas —, alta de 4% sobre 2025, que até então era o recorde. Em 2015, no mesmo período, eram 269: aumento de 41% em 11 anos. Setembro, mês mais letal de 2026, fechou com 108 mortes de motociclistas no estado.
Mogi Guaçu na rota da letalidade
Os casos recentes com vítimas de Mogi Guaçu ilustram como a letalidade nas duas rodas cruza os limites do município. Em agosto deste ano, o casal Renato Ferracin, de 39 anos, e Janaína Correa Bento Ferracin, de 43, moradores de Mogi Guaçu, morreu em acidente de moto na Rodovia MG-455, em Andradas (MG), após ser atingido por um carro que invadiu a faixa contrária, segundo o g1. No mesmo mês, a rodovia SP-342, em Mogi Guaçu, registrou acidente fatal com motorista ejetado do veículo — trecho que concentra ocorrências graves na cidade.
Campinas: queda geral, mas motos na contramão
Na região de Campinas, da qual Mogi Guaçu faz parte no recorte estatístico, o Anuário de Óbitos no Trânsito 2025 da Emdec apontou 142 mortes em 2025 — queda que interrompeu quatro anos seguidos de alta. Mas metade das vítimas (72) era de motociclistas ou garupas, uma morte a cada cinco dias. Entre os jovens de 18 a 29 anos, 78% dos mortos estavam em motos. Nas rodovias paulistas, quatro em cada dez mortos estavam em motos, segundo a Folha de S.Paulo com base no Infosiga.
Causas e resposta do poder público
O excesso de velocidade esteve presente em 38,1% dos acidentes fatais de Campinas em 2025, e a associação de bebida e direção, em 34,5% — fatores que pesam mais sobre motociclistas, mais expostos em qualquer impacto. Em Campinas, a Emdec ampliou fiscalização e tecnologia: radares remanejados e instalados, câmeras de condutas de risco e um salto nos testes de bafômetro, de mil para 15,4 mil por ano.
O desafio, à vista, é duplo: proteger quem circula nas rodovias que cortam a cidade e pensar políticas locais para os milhares de motociclistas que se movimentam Mogi Guaçu todos os dias — em um ano que já é, para eles, o mais letal da última década no estado.
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