
A Prefeitura de Campinas, sob a gestão do prefeito Dário Saadi (Republicanos), autorizou o envio de um crédito adicional suplementar de R$ 24,25 milhões no orçamento municipal, sendo R$ 24 milhões direcionados exclusivamente à Setransp (Secretaria de Transportes) para o subsídio do sistema de transporte público coletivo. A medida foi oficializada por meio de um decreto publicado no Diário Oficial do Município.
Para viabilizar o repasse milionário, a administração municipal retirou os recursos diretamente da reserva de contingência — verba originalmente guardada para cobrir despesas imprevistas e emergências de interesse público. Com este novo aporte, os recursos destinados às empresas concessionárias dispararam e já somam R$ 282,6 milhões ao longo do ano, superando com folga a previsão inicial de R$ 190,3 milhões estabelecida em janeiro pela Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas).
A chuva de dinheiro público sobre as empresas de ônibus contrasta drasticamente com a péssima qualidade do serviço prestado à população de Campinas. O transporte público coletivo na metrópole vive um cenário caótico, transformando o trajeto diário dos passageiros em uma verdadeira rotina de humilhação e risco à vida.
O sistema é marcado por problemas crônicos e recorrentes:
Frotas perigosas: São frequentes os episódios de ônibus pegando fogo em plena via pública, veículos que perdem o volante durante as viagens, unidades circulando com pneus carecas e falhas mecânicas graves que provocam quebras constantes no meio do trajeto.
Linhas paradas e superlotação: casos como o colapso recente na região da Avenida John Boyd Dunlop — onde coletivos de linhas como a 116 e a 119 quebraram simultaneamente, gerando superlotação e revolta — ilustram a precariedade do serviço.
Multas e impunidade: a própria Emdec já aplicou mais de 42 mil multas às concessionárias neste ano devido às falhas e à idade avançada da frota, mas os problemas persistem sem uma solução definitiva por parte da gestão municipal.
Atrasos e abandono: passageiros enfrentam longas esperas em pontos esvaziados e desassistidos, enquanto a licitação definitiva para modernizar e resolver o problema do transporte público segue emperrada, acumulando sucessivas falhas jurídicas e questionamentos no TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado) de São Paulo.
Apesar do péssimo padrão de atendimento e das dezenas de milhares de autuações, a gestão de Dário Saadi opta por inflar ainda mais os cofres das empresas operadoras com dezenas de milhões de reais em recursos vindos dos cofres públicos, enquanto a população continua refém de um transporte público inseguro e caótico.
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