
Cinco anos depois da queda do avião bimotor que matou Marília Mendonça aos 26 anos, em novembro de 2021, o maior arquivo da sertaneja não estava nos palcos, nos estúdios nem nas vitrines: estava no bolso dela. Nesta sexta-feira (16), o Prime Video estreia "Marília Mendonça: sentimento louco", série documental em quatro episódios — todos liberados de uma vez — montada a partir do conteúdo que residia no telefone da artista.
A diretora Susanna Lira teve acesso a 530 mil arquivos: 50 mil vídeos e centenas de notas, mensagens e áudios, do rascunho de composição à pilantragem doméstica do cotidiano. — Tinha certeza de que estava diante de um tesouro enorme — diz ela, que calcula que daria para fazer 20 episódios com o material.
O celular fala, então, menos do que se poderia temer e mais do que se esperava: revela a mulher atrás do fenômeno. Completam o quadro os depoimentos de quem conviveu de perto — Zezé Di Camargo, Paula Fernandes, o ex-namorado Murilo Huff, as irmãs Maiara e Maraisa, amigos e produtores. E a própria Marília, que num dos trechos resume a fama que adquiriu gosto amargo: "É aquela coisa de imaginar um caminho, trilhá-lo e, depois de passá-lo, não saber mais aonde se está".
O play de hoje abre uma temporada Marília. O Zatum já cobriu a exposição "Sentimento Louco", no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, com roupas, agenda e rascunhos da artista, em cartaz até 29 de novembro. Em 2027 vem a cinebiografia dirigida por Dainara Toffoli, rodada, com Marina Versos no papel principal e Klara Castanho, Hermila Guedes e Marcelo Serrado no elenco. E o mercado fonográfico segue lançando inéditas da cantora, como se a discografia nunca tivesse acabado.
Falta a conta que nenhum arquivo fecha: a matemática do eco de uma voz dessa. A série explica a mulher. O fenômeno segue sem manual.
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