
A maioria dos brasileiros considera que as eleições deste ano foram limpas e justas. Levantamento da Quaest divulgado neste domingo (8) aponta que 61% dos entrevistados avaliam o processo eleitoral como correto, enquanto 30% dizem acreditar que houve fraude. Outros 9% não sabem ou não opinaram.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em entrevistas domiciliares presenciais realizadas entre 30 de outubro e 2 de novembro, em todo o país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. O levantamento se chama "O Brasil depois das urnas" e é o primeiro de alcance nacional após o segundo turno.
O resultado praticamente repete o cenário observado há quatro anos. Em dezembro de 2022, 64% consideravam a eleição limpa e justa e 29% defendiam a existência de fraude. A proporção dos que desconfiam do resultado, portanto, permanece estável.
A percepção sobre a lisura do pleito se divide de forma quase simétrica conforme o voto. Entre os eleitores de Lula (PT), 93% reconhecem a lisura do processo e apenas 3% apontam fraude. Entre os que votaram em Flávio Bolsonaro (PL), o quadro se inverte: 64% dizem acreditar em fraude e 28% consideram a eleição limpa e justa.
Entre os classificados como independentes, 61% afirmam que as eleições foram corretas e 22% que não.
A dúvida sobre o resultado foi levantada pelo próprio derrotado. Em entrevista exclusiva à Folha, a primeira a um veículo brasileiro desde que deixou o país, Flávio Bolsonaro afirmou que nem ele nem Lula podem dizer com 100% de certeza quem foi eleito presidente. Ele admitiu não ter provas de irregularidade, mas disse ter motivos para desconfiar.
"Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto. A nossa parte jurídica vai ser que ele usou a máquina pública fora da lei."
A postura é reprovada por 59% dos entrevistados e aprovada por 34%, segundo a Quaest. É praticamente o mesmo placar de quatro anos atrás, quando 61% desaprovavam os questionamentos feitos pelo então presidente Jair Bolsonaro e 34% os apoiavam.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atestou a integridade do processo, resultado também referendado por observadores internacionais.
A pesquisa também mediu a avaliação sobre a saída do país. Para 62%, Flávio errou ao viajar aos Estados Unidos após a derrota; 29% consideram a decisão acertada e 9% não souberam responder.
Sobre o motivo da viagem, 56% dizem que ele fugiu da Justiça, enquanto 35% acreditam que ele se protegia de perseguição política. Descartam ambas as razões 2%, e 7% não responderam.
O crivo ideológico se repete. Entre eleitores de Lula, 92% desaprovam a atitude; entre os de Flávio, 90% dizem que ele agiu bem. Entre os independentes, 63% criticam a decisão, 21% a aprovam e 16% não souberam ou não quiseram responder.
A maioria (70%) tomou conhecimento da carta em que o senador se autointitula "verdadeiro presidente eleito do Brasil", publicada após a saída do país. Outros 30% ainda não sabiam da existência do texto.
Na avaliação geral do comportamento após a derrota, 60% consideram que Flávio agiu mal; 25% dizem que ele agiu bem e 9% avaliam como nem bem nem mal. Para comparação, 45% consideraram que Jair Bolsonaro agiu mal depois do pleito de 2022, contra 41% que o aprovaram — à época, o ex-presidente não fez pronunciamento na noite da apuração, não cumprimentou o vencedor e viajou para a Flórida sem passar a faixa a Lula.
A pesquisa indica que a contestação do resultado, quatro anos depois, não ampliou a base de desconfiança no eleitorado. O percentual de quem crê em fraude está no mesmo patamar de 2022, e a reprovação à postura de quem contesta o resultado também.
O dado relevante para 2026 é outro: a dúvida sobre as urnas permanece quase integralmente contida dentro do eleitorado derrotado. Entre os independentes — grupo decisivo em disputas majoritárias — a confiança no processo é de 61%, mesmo patamar da média nacional.
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