
O detalhe diz tudo. Em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, a informação de que a votação seguiria até as 19h chegou pela televisão. "Quando todo mundo encerrou, alguém gritou: 'ei, estenderam'", contou uma mesária à Folha de S.Paulo, por volta das 17h40. Não veio de ofício. Não veio do TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Veio de fora, do jeito que a notícia chega.
O mesmo roteiro se repetiu Brasil afora. Em Santana, zona norte paulistana, mesários ficaram proibidos de sair do local até que aparecessem "novos detalhes" — detalhes esses que a imprensa apurava mais rápido do que o tribunal comunicava. Em Brasília, a orientação que circulava no grupo da zona eleitoral era a da presidência do TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal), reforçando o encerramento das urnas, enquanto a prorrogação ainda era notícia em construção.
O ofício do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) — assinado pelo ministro Kassio Nunes Marques, determinando a permanência das seções abertas até as 19h — só saiu às 17h49. Quase uma hora depois da decisão de Zanin, que se deu às 16h57. Nesse intervalo, quem informou o país sobre o próprio ato eleitoral foi o noticiário. A Justiça Eleitoral, naquele momento, era uma fonte sem texto.
Fica a cena: mesária de seção fechada, boletim de urna impresso na mão, sabendo pela TV que ainda poderia haver gente votando. A informação circulou mais rápido que a instrução. Num domingo de segundo turno, com empate técnico nas pesquisas, isso não é detalhe pitoresco — é o retrato de uma cadeia de comando que tropeçou no próprio relógio.
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