
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentam nesta sexta-feira (23), nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, no segundo e último debate da campanha presidencial. O confronto é tratado como decisivo pelas duas campanhas, que chegam à reta final tecnicamente empatadas: a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) aponta 50% dos votos válidos para cada um.
Após o primeiro embate, realizado no domingo (18) pela Band e considerado "pobre e recheado de ataques", as duas campanhas sinalizam mudança de postura: menos provocações, mais propostas.
Preparação intensa nos dois lados
Lula dedicou a quinta-feira (22) e dedicará parte desta sexta (23) à preparação, permanecendo no Palácio da Alvorada para estudar estratégias e recuperar a voz — a rouquidão característica piorou por causa da intensa agenda de campanha. A orientação à equipe petista é não cair em provocações e detalhar projetos para um eventual quarto mandato, com foco na agenda de cortes de gastos e nos riscos do armamento, temas usados para ampliar a rejeição ao PL.
Flávio Bolsonaro também reservou dois dias para o treino. Nessa quinta (22), esteve em Brasília com integrantes da campanha e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O senador foi orientado a reduzir as provocações, responder mais diretamente às perguntas e dedicar espaço maior às propostas, sobretudo em segurança pública, economia e programas sociais, para conquistar o eleitorado indeciso e de centro.
O que muda no formato
Uma das principais mudanças no confronto da Globo, negociada pela campanha petista, é a restrição à movimentação no palco: somente o candidato com a palavra poderá circular, cada um pelo seu lado do estúdio — medida que evita a cena do primeiro debate, quando Flávio andou atrás de Lula enquanto o presidente respondia.
O debate terá quatro blocos (três com temas determinados e um livre), sorteados ao vivo pelo mediador César Tralli, além das considerações finais. O confronto começa após o Jornal Nacional, às 21h20 (horário de Brasília).
Rejeição no centro da estratégia
A disputa final gira em torno da rejeição. Aliados de Flávio divergem entre manter o tom de "carga máxima" ou adotar postura mais "moderada", mas admitem que o "vale-tudo" do primeiro debate não o beneficiou. O senador deve focar na agenda do filho do presidente, Lulinha, e nas fraudes em aposentadorias e pensões do INSS, além de responder com mais assertividade temas que evitou, como a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o financiamento do filme "Dark Horse", o alinhamento a Javier Milei e a política do salário mínimo.
Lula, por sua vez, deve repetir a cobrança para que Flávio abra os sigilos — proposta aceita pelo senador e firmada em acordo no TSE e reforçar a comparação entre projetos e os riscos do retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto.
Com o país rachado no empate técnico, a avaliação de estrategistas é que o debate da Globo pode ser o fator que decide a eleição. A dois dias do pleito, o confronto desta sexta (23) medirá o conteúdo das propostas e a capacidade de cada candidato de controlar o próprio estilo e falar ao eleitor ainda indeciso. A votação do segundo turno ocorre no próximo domingo (25).
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