
A péssima situação do transporte público campineiro, literalmente, beira o absurdo. Tornou-se comum ver coletivos circulando sem volante, pegando fogo durante o trajeto — obrigando passageiros a saírem às pressas —, além de ônibus que quebram no meio do itinerário, deixando usuários a pé até o destino. A maior parte da frota disponibilizada à população é velha, os atrasos são frequentes e faltam veículos e linhas.
Na contramão disso, as empresas prestadoras desse serviço caótico recebem, mensalmente, a bagatela de R$ 30 milhões. Recentemente, a gestão de Dário Saadi ainda despejou mais R$ 24 milhões em subsídios, retirados da reserva de contingência do orçamento municipal, verba originalmente destinada a despesas imprevistas.
Tais recursos poderiam ter sido aplicados em setores críticos: na saúde, no resgate e tratamento de centenas de pessoas vulneráveis na região central, ou para recuperar ruas e avenidas esburacadas. Mas não: a grana foi enviada para custear mais desrespeito contra o cidadão.
Até aqui, Dário fez um governo sem nenhuma marca forte ou legado de peso para a posteridade. O saudoso Magalhães Teixeira, o Grama, por exemplo, foi o responsável pelo Anel Viário, conectando rodovias como Anhanguera, Bandeirantes e Dom Pedro I, e modernizando a mobilidade urbana de Campinas.
Grama, contudo, foi além: em 1994, em seu segundo mandato, criou o primeiro programa de transferência de renda do Brasil para famílias carentes, medida que inspirou o Bolsa Família. O resto é história e respeito.
Agora, na reta final de seus dois mandatos e com a licitação do transporte marcada para dezembro, Saadi tem a grande oportunidade de marcar época de duas formas: como o mandatário responsável por garantir uma revolução no setor — com ônibus novos, seguros e eficientes —, ou como um gestor fraco, sem carisma (que prefere postar vídeos brincando com a careca), refém de um sistema que enriquece poucos à custa do sofrimento diário de quem lhe confiou o quarto andar do Palácio dos Jequitibás. Dário, qual itinerário o senhor seguirá?
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