
Número é número, mas em campanha tudo é leitura. O primeiro Datafolha do segundo turno saiu com 52% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro (PL) e 48% para Lula (PT), e cada lado viu exatamente o que queria ver.
Na conta do PL, motivo de festa: o candidato avançou cinco pontos desde o primeiro turno, quando fez 47,03% contra 45,16% do petista. Na conta do PT, motivo de memória: em 2014, Aécio Neves abriu o segundo turno com 51% contra 49% de Dilma Rousseff, e a então presidente virou a disputa. A margem de erro é de dois pontos, o que deixa os dois no limite do empate técnico, embora, estatisticamente, essa leitura seja considerada improvável.
"O único jeito de ganhar eleição é ganhando voto. Estou convicto de que vou ganhar", disse Lula ao ser informado do placar, evitando comentar o levantamento. Os aliados do petista, porém, fazem a conta em voz alta: reforçam que a rejeição de Flávio é alta (43%, contra 46% do próprio Lula) e que o candidato do PL abraçou o sistema que diz combater. "Vamos carimbá-lo como o candidato do sistema", avisou o ministro José Guimarães (PT).
Do outro lado, a ordem é não desmobilizar. Em evento com governadores e senadores eleitos no domingo, Flávio pediu comitês ativos e conteúdo circulando nas redes. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), eleito senador, ironizou: "Se o Datafolha mostra esse cenário, estamos muito à frente".
Dois caminhos se desenham para a reta final: um candidato comemora o placar da largada, o outro repete 2014 como mantra. O voto decide, como sempre decidiu.
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