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O tesouraço de Flávio tem número: R$ 250 bi, e a conta pode chegar ao seu benefício

Equipe econômica da campanha do PL estuda desvincular Previdência, BPC, saúde e educação da correção pelo salário mínimo e pelos pisos constitucionais

08/10/2026 às 12h24
Por: Luís Braga
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 Equipe de Flávio estuda ajuste de R$ 250 bi com mudança na correção de Previdência, saúde e educação (Crédito: Sérgio Lima/AFP)
Equipe de Flávio estuda ajuste de R$ 250 bi com mudança na correção de Previdência, saúde e educação (Crédito: Sérgio Lima/AFP)

A equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) está fazendo as contas de um ajuste que, no papel, parece cirúrgico: conter as despesas obrigatórias da União até chegar a cerca de R$ 250 bilhões, o equivalente a 2% do PIB — boa parte do esforço que economistas dizem ser preciso para estancar a dívida pública.

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O núcleo do plano mira as maiores rubricas do Orçamento. De um lado, desvincular os reajustes da Previdência Social e do BPC dos ganhos reais do salário mínimo, passando a corrigi-los apenas pela inflação (INPC). De outro, acabar com os pisos constitucionais que atrelam gastos com saúde (15% da receita corrente líquida) e educação (18% da receita líquida de impostos), corrigindo-os também pela inflação.

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A campanha faz questão de um detalhe: a medida preservaria o valor real dos benefícios, respeitando cláusula pétrea da Constituição. O efeito, dizem, seria estancar o multiplicador do aumento acima da inflação sobre a folha — lembrando que, dos mais de 41 milhões de benefícios do INSS, cerca de 70% equivalem ao piso nacional.

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As projeções do CDPP dão a dimensão do bolo: limitar o reajuste dos benefícios à inflação geraria economia acumulada de R$ 1,1 trilhão em dez anos — de R$ 15 bilhões no primeiro ano a R$ 238,5 bilhões anuais em 2035. Já a mudança nos pisos de saúde e educação, incluindo o Fundeb, projeta alívio de R$ 800 bilhões no mesmo período.

Nos bastidores, dezenas de especialistas — economistas, juristas e ex-integrantes do Ministério da Economia — preparam minutas de projetos e decretos para 2027. A estratégia prevê uma "Super PEC da Transição" logo após as urnas, no intervalo entre a eleição e a posse, em versão invertida da PEC de 2022: em vez de liberar gastos, cortá-los em até 2% do PIB.

A campanha, porém, baixou o tom. Em nota, afirma que "a orientação econômica da candidatura não é definida por relatos ou ilações de terceiros" e que as propostas não constam do plano oficial de governo. Ou seja: no palanque, o discurso é de cautela; nos bastidores, o tesouraço já tem planilha.

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Sobre o blog/coluna
O Luís Braga é um blog de notas e colunas sobre política, arte, saúde e literatura, escrito a partir do interior de São Paulo para o leitor da região de Campinas. No ritmo curto de quem comenta o dia a dia, o blog acompanha os bastidores da política, celebra a cultura que se faz aqui, traduz as questões de saúde em informação prática e abre espaço para a leitura e a literatura. Assinado por Luís Braga, sociólogo e dramaturgo, com a colaboração de vozes convidadas, é um espaço de opinião, observação e boas histórias sobre o lugar onde vivemos.
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