
Lula foi ao Palácio do Planalto na terça-feira para lembrar que existe um eleitor que não tem patrão, não tem contracheque e responde pelo CNPJ: o MEI. Para esse eleitor, o pacote anunciado traz novas linhas de crédito e renegociação de dívidas — em português de campanha, dinheiro mais barato e nome mais limpo.
Aos 12 dias do segundo turno, o presidente aproveitou para pedir ao Congresso o aumento do teto de faturamento da categoria. Quem hoje fatura até R$ 81 mil por ano passaria a faturar R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 — se os parlamentares aprovarem, claro. Proposta de governo e projeto de lei caminham em velocidades diferentes, e o eleitor sabe disso.
O anúncio soma-se à sequência da campanha: reajuste de 15% no Bolsa Família, novo Desenrola, MP contra apostas e cassinos on-line e desoneração da gasolina. No ritmo em que vai, o Planalto promete até prometer mais alguma coisa antes da eleição.
Enquanto isso, a uma distância de 2,2 milhões de votos da liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, Lula torce para que o nome-limpo chegue antes das urnas. Afinal, crédito que se aprova em ano de eleição costuma vir com juros de campanha embutidos.
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