
A crise política deflagrada pela Operação "Coffee Break" provocou uma reforma forçada no alto escalão da Prefeitura de Hortolândia. Nesta sexta-feira (14), o prefeito Zezé Gomes (Republicanos) oficializou a exoneração de quatro integrantes de sua gestão citados na investigação da PF (Polícia Federal), incluindo o vice-prefeito Carlos Augusto César, o Cafu (PSB).
As portarias, publicadas no Diário Oficial do Município, indicam que todos os desligamentos ocorreram "a pedido". Com a decisão, Cafu deixa o comando da estratégica Secretaria de Governo. No entanto, ele mantém o mandato eletivo de vice-prefeito, cargo do qual não pode ser demitido por ato administrativo, dependendo de processo legislativo ou judicial para eventual perda de mandato.
A "limpa" no secretariado Além de Cafu, a publicação oficializa a saída de outras peças-chave da administração municipal suspeitas de envolvimento no esquema de desvio de verbas na Educação:
Fernando Gomes de Moraes: deixa a Secretaria de Educação. Ele também foi preso preventivamente na última quarta-feira (12).
Rogério Mion: deixa a Secretaria de Habitação.
Carla Ariane Trindade: exonerada do cargo de diretora do Departamento de Almoxarifado e Patrimônio.
A defesa de Fernando Gomes de Moraes não foi localizada até o fechamento desta edição para comentar o caso.
Batalha Jurídica
Enquanto as exonerações eram publicadas, a defesa de Cafu César agia nos tribunais. O vice-prefeito permanece detido preventivamente por ordem da Justiça Federal de Campinas. Seu advogado, Ralph Tortima Filho, informou que protocolará ainda nesta sexta-feira um pedido de habeas corpus junto ao TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), em São Paulo, na tentativa de reverter a prisão.
O Esquema A Operação "Coffee Break", conduzida por PF, MPF (Ministério Público Federal) e CGU (Controladoria Geral da União), investiga uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações para a compra de materiais didáticos da empresa Life Tecnologia Educacional Ltda. Estima-se que o esquema tenha movimentado R$ 128 milhões desde 2021, envolvendo crimes de corrupção ativa e passiva, superfaturamento e tráfico de influência em prefeituras como Hortolândia, Sumaré, Morungaba e Limeira.
Caçada em Sumaré
O desdobramento da operação na cidade vizinha de Sumaré ainda tem uma ponta solta. José Aparecido Ribeiro Marin, ex-secretário de Educação da gestão anterior, é considerado foragido. Dos seis mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça Federal na quarta-feira, o de Marin é o único que ainda não foi cumprido. A Polícia Federal segue em diligências para localizá-lo.
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