
A PF (Polícia Federal) escancarou, na última terça-feira (12), as engrenagens de um esquema de corrupção que aponta Kalil Bittar não apenas como um intermediário, mas como peça-chave e beneficiário de luxos custeados com dinheiro suspeito. Alvo da Operação Coffee Break, Bittar teve sua residência em Brasília vasculhada por agentes que investigam sua atuação como lobista profissional para a empresa Life Tecnologia Educacional.
Segundo o inquérito, a atuação de Bittar ia muito além de simples contatos comerciais; ele é descrito como um operador de "grande importância" para o sucesso financeiro da empresa. A investigação detalha que essa influência não saía barato: André Mariano, proprietário da Life, é acusado de manter Bittar sob uma "folha de pagamento" de propinas, que incluía mesadas fixas e até a entrega de um carro de luxo da marca BMW.
A PF desenha o perfil de Bittar como um articulador que opera nas sombras do poder. Vale lembrar que o investigado carrega um histórico de parcerias controversas: ele foi sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em empreendimentos que há anos são alvo de questionamentos por órgãos de fiscalização e controle devido à suspeita de irregularidades.
A "Nora" e o lobby no FNDE O esquema desmantelado pela PF revela tentáculos que alcançam o círculo familiar do atual presidente. Outra figura central na mira da operação é Carla Ariane Trindade, ex-esposa de Cláudio Lula da Silva (filho da falecida ex-primeira-dama Marisa Letícia e filho afetivo de Lula).
Tratada nos autos pelos codinomes "Nora" ou "amiga de Paulínia", Carla é apontada pelas autoridades como integrante do núcleo político da organização criminosa. Sua função seria exercer pressão e lobby direto dentro do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e em diversas prefeituras, manipulando a máquina pública para favorecer os contratos da Life Tecnologia Educacional.
O Silêncio
Até o fechamento desta matéria, Kalil Bittar e Carla Ariane não foram localizados para comentar as graves acusações que pesam contra eles. O espaço segue aberto para manifestação das defesas, caso decidam explicar a origem das regalias e a natureza das transações apontadas pela Polícia Federal.
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