
MOGI GUAÇU – Entre o fim da tarde de quinta-feira (29) e a noite de segunda-feira (2), a GCM (Guarda Civil Municipal) atendeu três ocorrências de violência contra mulheres em Mogi Guaçu. Uma delas terminou com a casa de uma vítima destruída pelo fogo. Nos três casos, os homens apontados como agressores foram conduzidos à CPJ (Central de Polícia Judiciária) e permaneceram à disposição da Justiça.
O primeiro episódio ocorreu no Terminal Urbano do Parque dos Ingás, na quinta (29). Uma mulher grávida de 33 anos tentava embarcar com os três filhos — de 2, 6 e 8 anos — quando foi impedida pelo companheiro, de 28 anos, com quem vive há nove anos. Moradora do distrito de Martinho Prado Júnior há dois meses, ela havia feito exame de ultrassom. Segundo o relato feito à GCM, o homem contestou a paternidade com base nas datas da gestação e passou a ofendê-la e a bloquear a entrada no ônibus. A família, natural de Pernambuco, ficou sem meios de voltar para casa e foi levada até a residência pelos agentes.
Os GCMs atenderam a ocorrência, com apoio do supervisor. O homem foi autuado por injúria, ameaça, violência doméstica e constrangimento ilegal, e a autoridade de plantão determinou sua permanência na prisão.
Incêndio em casa alugada
O caso mais grave foi registrado na madrugada de domingo (31), quando a Patrulha Guardiã foi acionada por volta das 5h30. Uma mulher de 29 anos, que tem medida protetiva contra o ex-marido, um ano mais novo, contou que ele teria incendiado a casa onde ela mora de aluguel, no Loteamento Parque do Estado. O homem teria entrado no imóvel pelo terreno vizinho.
As GCMs conduziram a vítima à CPJ para o registro da ocorrência, orientaram sobre os procedimentos cabíveis e providenciaram a instalação do aplicativo SOS, o "Botão do Pânico". Ela também foi informada de que passará a receber acompanhamento da equipe.
Enquanto o boletim era registrado, os guardas civis foram ao endereço e chegaram no momento em que o Corpo de Bombeiros debelia o incêndio. No rescaldo, foram identificadas rachaduras na estrutura, o que levou ao acionamento da Defesa Civil para avaliar os danos.
Facas e gritos na portaria
A terceira ocorrência foi atendida na noite de segunda-feira (2), feriado de Finados. Uma moradora de 47 anos de um condomínio no Jardim Novo II foi avisada de que o ex-companheiro, de 42 anos, estava na portaria tentando entrar e gesticulando como se portasse uma faca.
De acordo com a vítima, não foi a primeira tentativa de aproximação. Em outras ocasiões, o homem costumava gritar o nome dela na portaria e na mata de um terreno vizinho. A GCM foi acionada porque ele é considerado agressivo, mas o suspeito já havia deixado o local quando as agentes chegaram. Ele foi localizado pelos GCMs da Romu (Rondas Ostensivas Municipais), a pouca distância do condomínio, e trazia consigo a faca usada para intimidá-la. Após passar por avaliação médica, foi conduzido à CPJ.
Rede de proteção em números
A Patrulha Guardiã da Mulher foi criada em janeiro de 2023 e hoje opera como unidade especializada da GCM. Em janeiro de 2025, a corporação informou acompanhar 271 mulheres com medidas protetivas deferidas, com monitoramento diário por WhatsApp, patrulhamento e visitas domiciliares. Em julho deste ano, a Prefeitura inaugurou, em parceria com Mogi Mirim e o governo estadual, a Casa da Mulher, com 20 vagas de acolhimento — dez para cada município.
O município também sancionou, em junho, a Lei 6.382, que institui campanhas para difundir o gesto não verbal de pedido de ajuda em três etapas — levantando a mão com a palma para fora, dobrando o polegar e fechando o punho.
Mulheres em situação de risco podem acionar a Patrulha Guardiã pelo 3811-8913 ou pelo 153 (GCM), procurar a DDM (Delegacia da Mulher), na Avenida Nove de Abril, 842, Centro, ou o Espaço Guardiã, na Rua Bernardo do Campo, 89, Jardim Santo André, com WhatsApp (19) 99610-5149. O Ligue 180 e o Disque 100 funcionam como canais nacionais.
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