
A pergunta está lançada, e a dúvida é legítima, caro leitor. A justificativa reside no protagonismo desmedido do Judiciário brasileiro, tomado de assalto para proteger partidos e políticos e não a sociedade como um todo. O Judiciário deveria existir para garantir equilíbrio, proteger direitos e responsabilizar quem causa danos.
A justiça, no campo filosófico, é entendida como um princípio que orienta a vida coletiva, buscando harmonizar interesses individuais e o bem comum. Desde Platão, discute‑se a ideia de que ser justo significa agir conforme a virtude e a ordem racional da sociedade. Aristóteles aprofunda essa visão ao tratar a justiça como equilíbrio, dando a cada um o que lhe é devido. Já na modernidade, pensadores como Kant e Rawls veem a justiça como fundamento moral e como estrutura que garante liberdade, igualdade e respeito entre indivíduos.
Na Constituição Federal de 1988, a justiça é concebida como um pilar essencial para a ordem democrática, orientada pela defesa da dignidade humana e pela promoção da igualdade. Ela se materializa na garantia de direitos fundamentais, no acesso amplo ao Judiciário e na atuação imparcial dos poderes estatais. A CF/88 estabelece que a justiça deve assegurar proteção contra arbitrariedades, resolver conflitos de forma equilibrada e preservar liberdades individuais e coletivas. Assim, a justiça constitucional funciona como instrumento de cidadania e como base para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
Nos dois parágrafos acima, tratei a temática sob os pontos de vista filosófico e constitucional. Nesse sentido, é possível afirmar que a justiça e o Judiciário existem para servir ao bem comum. No entanto, não é isso que observamos no cenário brasileiro. Cada partido ou político parece ter o “endereço certo” de um juiz — sobretudo no segundo grau de jurisdição — confiando que o conchavo lhes garantirá decisões favoráveis em detrimento de seus adversários.
Nesse cenário, a imprensa exerce papel fundamental na preservação da democracia e na fiscalização do poder. Se ninguém vigia as decisões arbitrárias de magistrados, cabe aos jornalistas e aos meios de comunicação expor práticas questionáveis e desvios éticos que comprometem a credibilidade da Justiça. A atuação investigativa da mídia torna-se essencial para revelar conchavos, favorecimentos e decisões que se afastam do interesse público. Quando a imprensa cumpre sua função de forma livre e responsável, ela não apenas denuncia as distorções do sistema judicial, mas também reforça o princípio de transparência que sustenta o Estado de Direito.
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