
O escritório Cremasco, de Campinas, e os advogados José Antonio Cremasco e Thais Proença Cremasco foram condenados a pagar R$ 239,5 mil a um cliente que não recebeu o valor obtido em uma ação trabalhista julgada em 2014. A decisão, da 7ª Vara Cível de Campinas, foi publicada na última sexta-feira (3) e cabe recurso.
Segundo o juiz Felipe Guinsani, o trabalhador contratou o escritório para atuar em um processo na 10ª Vara do Trabalho de Campinas. Ele venceu a causa, que totalizava R$ 319.402,58. Desse montante, 25% seriam destinados ao escritório a título de honorários, restando R$ 239.551,93 ao cliente, valor que, segundo a ação, nunca foi repassado.
A Polícia Civil, por meio da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), informou que apura outros supostos casos de apropriação de valores destinados a trabalhadores em processos conduzidos pelo mesmo escritório e pelos mesmos advogados.
Em entrevista à EPTV, Thais Proença Cremasco afirmou que os contratos foram firmados com o escritório do pai, José Antonio, e que ela não atua na banca desde 2024, após romper a relação societária em razão de reclamações de clientes. Ela ainda disse que era José Antonio quem indicava a conta para depósito dos valores e que ele repassava os pagamentos aos clientes.
Já José Antonio atribuiu a suposta apropriação à filha, afirmando que ela "detinha total gerência tanto da conta corrente empresarial como de sua própria conta". Ele também ponderou que não há registro de clientes prejudicados em processos anteriores a 2022 ou posteriores a 2025.
A Ordem dos Advogados do Brasil informou, por meio de nota, que Thais não integra mais o Conselho Seccional da OAB-SP, tendo renunciado ao cargo neste ano. Sobre as acusações de apropriação, a entidade confirmou que há processos em tramitação no Tribunal de Ética e Disciplina (TED), em segredo de justiça.
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