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Estudo da Unicamp demonstra potencial de extratos da casca de romã no combate a feridas de pele

Material apresentou ação antimicrobiana contra patógeno de difícil tratamento, indica investigação de pesquisadores da Unicamp

01/02/2026 às 17h30 Atualizada em 01/02/2026 às 19h50
Por: Zatum Notícias Fonte: Da Redação
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Resultados abrem espaço para o desenvolvimento de “curativos inteligentes” (Crédito: Lee Travathan/Pixabay)
Resultados abrem espaço para o desenvolvimento de “curativos inteligentes” (Crédito: Lee Travathan/Pixabay)

Pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) comprovou a ação de extrato obtido da casca de romã contra microrganismos causadores de feridas na pele. A substância conseguiu inibir a ação de bactérias comuns, como a Staphylococcus aureus, e da Pseudomonas aeruginosa, um patógeno conhecido por sua alta resistência, e consequentemente, difícil tratamento.

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O trabalho, que teve o apoio da Fapesp (processos 23/12621-1 , 22/10469-5 , 21/12264-9 , 19/13496-0 , 18/14582-5 e 23/03439-5 ) e foi coordenado pelo pesquisador Mauricio Ariel Rostagno , foi dividido em quatro partes.

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O primeiro passo foi testar a atividade antimicrobiana dos extratos de 11 tipos de resíduos da indústria alimentar – cascas de laranja, manga, maçã, uva, limão e romã; folhas de manga e goiaba; sementes de melão; casca e borra de café – contra microrganismos comuns em infecções de feridas cutâneas.

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A casca de romã foi selecionada como o material mais promissor por apresentar a maior atividade antimicrobiana e o maior teor de compostos fenólicos, potentes antioxidantes. Então, ela foi submetida a uma ferramenta de simulação computacional para selecionar solventes verdes, ou seja, ecologicamente corretos – acetona e álcool isopropílico diluídos em água, por exemplo –, que fossem mais eficientes para extrair o ácido elágico, seu principal composto que tem grande potencial antimicrobiano.

“Por fim, fizemos uma validação laboratorial para produzir novos extratos com esses solventes otimizados e testamos sua atividade antimicrobiana novamente em laboratório para confirmar se a eficácia contra os microrganismos havia, de fato, aumentado”, conta a engenheira de alimentos Thais Carvalho Brito Oliveira , pós-doutoranda na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, que liderou o trabalho.

De acordo com os pesquisadores, os resultados obtidos, publicados no Journal of Food Processing and Preservation, abrem espaço para uma ampla gama de pesquisas futuras que incluem a avaliação aprofundada das atividades antimicrobianas de compostos fenólicos puros e suas combinações para estudar efeitos sinérgicos, como a análise da citotoxicidade e a aplicação de extratos otimizados em curativos inteligentes.

Os resultados demonstram um grande potencial prático, mas o estudo ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento laboratorial. Posteriormente serão realizados ensaios in vivo.

O objetivo, segundo os pesquisadores, é obter um produto eficaz que seja uma alternativa natural aos antibióticos sintéticos, cujo uso indiscriminado tem gerado resistência bacteriana. Além disso, encontrar um destino melhor e mais rentável para os descartes da indústria alimentar, transformando-os em produtos de alto valor agregado para a saúde humana.

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