
É perceptível, como nunca se falou tanto em ansiedade infantil como nos dias atuais. O que antes era visto como “nervosismo passageiro” ou “fase da infância” hoje aparece com contornos mais profundos, frequentes e preocupantes. Crianças ansiosas tornaram-se um espelho fiel de uma sociedade marcada pela pressa, pelo excesso de estímulos e pela dificuldade de simplesmente desacelerar.
Vivemos em um tempo em que tudo acontece rápido: informações, cobranças, comparações e expectativas. As crianças, ainda em processo de desenvolvimento emocional e neurológico, são inseridas muito cedo em rotinas intensas, agendas cheias, múltiplas atividades extracurriculares e contato constante com telas. Muitas vezes, sobra pouco espaço para o ócio criativo, para o brincar livre e para o tempo de apenas ser criança.
A ansiedade infantil nem sempre se manifesta de forma evidente. Pode surgir em queixas físicas recorrentes, como dores de barriga e de cabeça, em dificuldades para dormir, irritabilidade, choro frequente, medo excessivo de errar ou necessidade constante de aprovação. Em um mundo que valoriza desempenho e produtividade desde cedo, a criança aprende, mesmo sem palavras, que precisa “dar conta”, corresponder e não falhar.
É importante compreender que as crianças também absorvem o ritmo emocional dos adultos ao seu redor. Pais e cuidadores sobrecarregados, sempre apressados e conectados, acabam transmitindo, ainda que involuntariamente, essa sensação constante de urgência. A infância, que deveria ser um tempo de segurança e descoberta, passa a ser vivida sob pressão.
Repensar esse cenário é um desafio coletivo. Desacelerar não significa negligenciar responsabilidades, mas reconhecer que o desenvolvimento saudável exige tempo, presença e vínculos afetivos consistentes. Escutar a criança, respeitar seus limites, valorizar o brincar e criar rotinas mais equilibradas são atitudes simples, porém transformadoras. Uma infância vivida com menos pressa e mais acolhimento não beneficia apenas as crianças de hoje, mas os adultos de amanhã.
Como psicopedagoga, observo diariamente que a ansiedade infantil não surge de forma isolada, mas como resposta a contextos que exigem da criança habilidades emocionais para as quais ela ainda não está pronta. Na prática clínica e educacional, é evidente que dificuldades de aprendizagem, desatenção e até desmotivação muitas vezes estão profundamente ligadas a estados de ansiedade não reconhecidos e, em 90% dos casos, este reflexo se estende à idade adulta.
Por isso, acredito que o olhar psicopedagógico precisa ir além do desempenho e considerar o sujeito em sua totalidade, promovendo ambientes que acolham, respeitem o ritmo individual e favoreçam o desenvolvimento emocional como base para qualquer processo de aprendizagem.
Assim, cuidar da infância é também desacelerar e proteger a saúde emocional da criança, evitando que seja um adulto marcado por inseguranças, pressões excessivas e dificuldades em lidar com as próprias emoções.
Para mais informações entre em contato com Luciana Gallinari no telefone e WhatsApp: 19 98180-3028.
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