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Competências socioemocionais em crise: como o ambiente educacional pode resgatar a arte do relacionamento humano (Coluna de Luciana Gallinari)

Estreia de colunista no portal Zatum Notícias

23/10/2025 às 16h03
Por: Zatum Notícias Fonte: Luciana Gallinari
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A nova colunista do Zatum Luciana Gallinari (Crédito: divulgação)
A nova colunista do Zatum Luciana Gallinari (Crédito: divulgação)

Luciana Gallinari estreia como colunista no portal Zatum Notícias. Ela vai escrever sobre psicologia, educação e atualidades, sempre com uma abordagem científica, e ao mesmo tempo coloquial. Segue o primeiro artigo e boa leitura!!!

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Em meio a um cenário contemporâneo marcado por crescentes índices de violência, descrença e uma evidente perda de valores que outrora balizavam a boa convivência social, os desentendimentos tornam-se uma constante na vida cotidiana. A complexa teia dos relacionamentos humanos, sejam eles de natureza interpessoal ou intrapessoal, é colocada à prova.

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O ser humano, por essência, é um repositório de conflitos. A dualidade é inerente: os embates internos remetem à alma e à espiritualidade, enquanto os externos se manifestam no meio físico e social. Somos, frequentemente, intransigentes, hesitantes e, em muitos momentos, egocêntricos. A ânsia por fazer prevalecer a própria vontade e opinião choca-se, inevitavelmente, com a realidade de uma sociedade multifacetada e plural.

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É um desafio encontrar um indivíduo que jamais tenha enfrentado um conflito, seja no âmbito familiar, profissional, comunitário ou até mesmo consigo mesmo. O que verdadeiramente nos distingue e nos molda é a capacidade de gerir e superar esses atritos.

A singularidade como fator de tensão

Torna-se imperativo o entendimento de que cada pessoa é única, portadora de um conjunto singular de características e diferenças. Essa singularidade implica que a reação a uma mesma situação pode variar radicalmente. Temperamento, personalidade, caráter e modo de pensar são variáveis que conferem a cada indivíduo uma abordagem distinta perante os desafios.

A ausência dessa compreensão mútua invariavelmente fragiliza e abala os relacionamentos. As palavras proferidas diariamente, capazes de moldar a realidade circundante, detêm o poder de criar um ambiente de harmonia ou de discórdia, tanto para o emissor quanto para o receptor.

Conforme aponta o autor Rick Warren (2008), a manutenção de bons relacionamentos exige a "destruição do arsenal de armas nucleares relacionais", um repertório que inclui condenar, menosprezar, rotular, insultar, ironizar e reagir com sarcasmo.

Em uma analogia aprofundada, McCord compara nossa vida interior a um ecossistema. Assim como o ecossistema visível, nossa psique é sensível. A poluição do mundo externo degrada a vida biológica; de forma análoga, a poluição da vida interior, por meio de pensamentos e atitudes negativas, diminui a qualidade da vida emocional e da capacidade de amar.

Conflitos internos não se restringem ao indivíduo; eles invariavelmente transbordam para os relacionamentos externos, criando atritos que poderiam ser mitigados pelo exercício do autocontrole, da mansidão, da temperança e do afeto.

Unidade, não Uniformidade

Em suma, discordar é um direito perfeitamente aceitável, desde que exercido com urbanidade, em tom amigável e isento de ofensas. É possível e necessário expor a própria ideia sem desrespeitar a perspectiva alheia.

Recorrendo a outra analogia de Warren (2003), o mesmo diamante exibe facetas distintas a depender do ângulo de observação. Da mesma forma, espera-se unidade e não uniformidade nas relações. É factível caminhar lado a lado, mesmo diante da divergência em certos assuntos. A união persiste, mesmo que as ideias sobre um mesmo tema sejam diferentes, ecoando o Salmo 133.1: "Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!"

A verdadeira comunhão, seja ela na família, no casamento, na amizade, no trabalho ou na comunidade, floresce com base na franqueza e na justiça. Ao enfrentar e resolver desentendimentos com transparência, o nível de intimidade mútua se aprofunda.

Reconhecer e admitir erros, falhas e más condutas é um desafio, mas é através desse reconhecimento que se aprende e se evita a repetição de atos prejudiciais. Restaurar relacionamentos é sempre um investimento valioso. Dado que todos já fomos lesados e também já causamos danos, somos convidados a permitir que o amor amplie nossas ações, pensamentos e atitudes, tornando o perdão uma prática contínua e essencial.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BÍBLIA DE ESTUDO DESAFIOS DE TODO HOMEM. Nova Versão Internacional. São Paulo: Mundo Cristão, 2012.

GALLINARI, Luciana et al. Presente Diário: o livro da leituras devocionais diárias 16. São Paulo, SP: Transmundial, 2013.

McCORD, Carlos. A vida que satisfaz. São Paulo, SP: Permanecer, 2007.

WARREN, Rick. Uma vida com propósitos: Você não está aqui por acaso. São Paulo, SP: Vida, 2003.

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Psicologia com Luciana Gallinari
Sobre o blog/coluna
Luciana Gallinari é Psicopedagoga, formada pela UNICAMP, com mais de duas décadas de experiência profissional, aliando a prática consolidada à sólida formação acadêmica. Possui Mestrado em Psicologia pela Universidade Europeia da Espanha, o que a qualifica para atuar com profundidade nas áreas de aprendizagem e desenvolvimento humano.
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