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Como o esquema de Hortolândia pode afundar a campanha de reeleição de Jonas Donizette

A operação Coffee Break expõe as raízes podres de uma máquina política que agora ameaça um de seus principais frutos

25/11/2025 às 16h20
Por: Zatum Notícias Fonte: Da Redação
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Jonas vai fechar os olhos para a roubalheira de aliados do PSB? (Crédito: reproduação das redes sociais)
Jonas vai fechar os olhos para a roubalheira de aliados do PSB? (Crédito: reproduação das redes sociais)

A política, dizem, é como um jogo de dominó. Basta derrubar uma peça para que as outras, em sequência, caiam também. A imagem é perfeita para explicar o terremoto que a Operação Coffee Break desencadeou no PSB (Partido Socialista do Brasil) da região de Campinas. O que começou com a prisão do vice-prefeito de Hortolândia, Cafu Cesar, e do secretário de Educação, Fernando de Moraes, já atingiu a cúpula do partido em Paulínia. E agora, a fumaça tóxica desse incêndio avança em direção à peça mais valiosa do tabuleiro eleitoral: a candidatura a deputado federal de Jonas Donizette.

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A conexão é clara e direta. Fernando de Moraes, figura central do esquema de desvio de verbas públicas via licitações fraudulentas, segundo a PF (Polícia Federal), não se contentou em minar os cofres de Hortolândia. A reportagem do Zatum revelou que ele também atuava como um "fundo eleitoral paralelo" para o PSB na região, bancando material de campanha para candidatos do partido em Paulínia. Estamos falando de Caixa 2, crime eleitoral gravíssimo, que distorce a democracia e cria uma concorrência desleal financiada, na pior das hipóteses, por dinheiro público desviado.

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É aqui que o dominó começa a cair na direção de Jonas Donizette. Ele não é um novato. É um político de trajetória, duas vezes prefeito da principal cidade da região, Campinas. Sua campanha para deputado federal se apoia justamente nessa imagem de gestor experiente e conhecedor da máquina pública. No entanto, a força de um partido político é também a sua unidade. E quando a base dessa unidade apodrece, todos os que nela se apoiam correm o risco de desabar junto.

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A pergunta que o eleitor de Jonas Donizette fará – e que ele deve temer – é inevitável: Até onde vai essa teia? O esquema não era um caso isolado de um prefeito ou vice-prefeito ambicioso. Era uma operação estruturada que incluía o desvio de recursos e o financiamento ilegal de campanhas de aliados partidários. Que garantias temos de que práticas semelhantes não ocorreram em outras gestões do partido, inclusive na sua? A desconfiança é um veneno que contamina até os que não foram diretamente citados.

Jonas Donizette construiu sua carreira na esteira do PSB, pegando para si a base deixada por Jacó Bittar. Agora, o partido que lhe deu suporte tornou-se seu maior risco. Em um momento em que o eleitor está mais atento e cansado da velha política, associar-se a um partido manchado por operações da Polícia Federal é uma carga pesadíssima de carregar. A candidatura dele, que deveria debater projetos para o Brasil, será agora obrigada a gastar fôlego explicando – ou tentando se distanciar – dos escândalos de seus correligionários.

A Operação Coffee Break serve como um alerta. Ela mostra que a corrupção não se limita a um gabinete, mas se ramifica, financiando campanhas e sustentando uma máquina política. Jonas Donizette pode ser inocente de qualquer envolvimento direto, mas a política é também feita de percepção. E a percepção que se forma é a de um político que, para chegar onde está, navegou em águas turvas comandadas por aliados agora presos.

A reeleição de Donizette não está mais apenas nas mãos de seus comitês. Está nas mãos dos investigadores, na sequência dos depoimentos e na próxima peça de dominó que a Polícia Federal pode derrubar. O maior perigo para um político experiente não é o oponente na urna, mas a teia de aliados que pode, a qualquer momento, arrastá-lo para o abismo junto com eles.

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