
A Câmara de Campinas aprovou nesta quarta-feira (19), por 29 votos favoráveis, a abertura de uma CP (Comissão Processante) para investigar o vereador Otto Alejandro (PL), por suposta quebra de decoro parlamentar. A decisão foi tomada durante a 72ª Reunião Ordinária da Casa.
Os trabalhos de investigação serão conduzidos por um colegiado definido por sorteio logo após a votação. A presidência ficará a cargo da vereadora Fernanda Souto (PSOL), tendo como relator Eduardo Magoga (Podemos) e, como integrante, Guilherme Teixeira (PL).
As acusações
O pedido de instauração da CP foi protocolado na última sexta-feira (14) pelo cidadão Adriano Vieira Novo. A denúncia baseia-se em um Boletim de Ocorrência registrado na 1ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Campinas, no dia 10 de novembro de 2025. No documento, o parlamentar é acusado pela namorada de crimes de violência doméstica, ameaça, injúria e dano.
Além do caso de violência contra a mulher, o pedido também cita um episódio ocorrido em 13 de julho deste ano, no qual Otto Alejandro é acusado de ter danificado o vidro traseiro de um ônibus de viagem.
Durante a sessão desta quarta-feira, Otto Alejandro usou a tribuna para se defender. O vereador negou as agressões, afirmou que não atirou objetos contra o ônibus e declarou que sua namorada retirou a queixa policial.
Rito processual e prazos
Com a comissão instaurada, a presidente Fernanda Souto deverá notificar o denunciado, que terá um prazo de dez dias para apresentar sua defesa prévia por escrito. Após esse período, a CP emitirá, em cinco dias, um parecer opinando pelo arquivamento ou pelo prosseguimento da denúncia. Caso a opção seja pela continuidade, serão iniciadas as fases de instrução, diligências e oitivas de testemunhas.
O grupo tem 90 dias para concluir os trabalhos, contados a partir da notificação do acusado. O relatório final será submetido ao Plenário. Para que o mandato do vereador seja cassado, serão necessários os votos de pelo menos dois terços dos 33 vereadores da Casa.
Corregedoria acionada
Paralelamente à Comissão Processante, a Corregedoria da Câmara recebeu, também no final da tarde desta quarta-feira (19), uma representação solicitando a abertura de um procedimento de apuração ética e disciplinar. O documento foi assinado pelos vereadores Roberto Alves e Luis Yabiku (Republicanos), Paulo Haddad (PSD), Perminio Monteiro (PSB), Rodrigo Farmadi (União) e Dr. Yanko (PP).
O corregedor da Casa, vereador Carlinhos Camelô (PSB), analisará a viabilidade jurídica do pedido. Diferente da CP, o processo na Corregedoria não resulta em cassação direta, prevendo sanções que variam desde advertência escrita até a suspensão temporária do mandato por até 90 dias, com prejuízo da remuneração.
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