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O silêncio entre as pessoas e o som dos miados (Coluna de Adriana Ferreira)

Vivemos a ilusão de um mundo perfeito  onde ninguém sofre, ninguém erra, ninguém é vulnerável

13/11/2025 às 14h44 Atualizada em 13/11/2025 às 15h23
Por: Zatum Notícias Fonte: ADRIANA FERREIRA
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Adriana Ferreira escreve sobre saúde mental (Crédito: divulgação)
Adriana Ferreira escreve sobre saúde mental (Crédito: divulgação)

Vivemos um tempo curioso. As pessoas estão cada vez mais conectadas  mas não entre si. As telas aproximam fisicamente, mas afastam emocionalmente. É como se cada curtida substituísse um olhar, e cada "bom dia" digitado virasse um eco de algo que já não se sente mais.
A disputa de egos transformou conversas em competições, opiniões em ataques e relacionamentos em arenas.

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Ninguém quer ceder, ninguém quer ouvir  todos querem ter razão. E nessa luta silenciosa por "estar certo", o afeto tem perdido espaço. As interações humanas, antes baseadas em presença e empatia, agora se sustentam em aparências cuidadosamente filtradas nas redes sociais.

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Vivemos a ilusão de um mundo perfeito  onde ninguém sofre, ninguém erra, ninguém é vulnerável. E enquanto tentamos sustentar essa imagem, nos afastamos de nós mesmos e dos outros.

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É nesse vazio que os animais, especialmente os gatos, têm encontrado um papel cada vez mais importante. Eles chegam silenciosos, sem exigir explicações, sem julgar, sem comparar. Apenas estão ali  oferecendo companhia verdadeira, sem a necessidade de palavras.

Os lares modernos, antes cheios de vozes, risadas e grandes famílias, estão mais silenciosos. As casas diminuíram, os encontros rarearam, e os pets ocuparam o espaço das ausências. Tornaram-se filhos, irmãos, companheiros de travesseiro e confidentes de alma.

Hoje, estima-se que em cerca de 80% dos lares, os animais de estimação já são considerados parte da família. Não é apenas sobre ter um pet, é sobre ter um vínculo emocional que o mundo humano, cada vez mais distante, muitas vezes não oferece mais.

Talvez isso revele algo profundo sobre nós, a necessidade de amar e ser amado, mesmo quando as relações humanas falham. Os gatos, com seu olhar sereno e silencioso, parecem entender algo que esquecemos  que o afeto verdadeiro não precisa de palavras, apenas de presença.
E talvez, no fundo, o amor que damos aos nossos animais seja o reflexo do amor que gostaríamos de voltar a sentir entre nós.

O amor dos felinos, em especial, tem salvado muitos corações silenciosos  idosos que reencontram alegria em um ronronar, crianças que aprendem sobre cuidado e ternura, e adultos que passam o dia mostrando força no trabalho, mas que no fundo são sensíveis, apenas não querem mostrar.

No olhar de um gato, muitos têm encontrado o que o mundo anda esquecendo: a doçura de ser amado sem precisar provar nada.

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Alô Terapia, com Adriana Ferreira
Sobre o blog/coluna
Adriana Ferreira é psicóloga e psicanalista. Ela atua há 30 anos cuidando da saúde mental. Adriana também é comunicadora, com experiências em rádios, televisão e na internet.
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