14°C 26°C
Campinas, SP
Publicidade

Amizades de conviniência (Coluna da Adriana Ferreira)

Quando o outro vira um meio, e não um vínculo

24/03/2026 às 12h37
Por: Zatum Notícias Fonte: ADRIANA FERREIRA
Compartilhe:
Em muitos casos, a amizade é motivada por interesses pequenos (Crédito: Zatum Imagem, por IA)
Em muitos casos, a amizade é motivada por interesses pequenos (Crédito: Zatum Imagem, por IA)

Vivemos em uma época em que as relações parecem cada vez mais frágeis, rápidas e, muitas vezes, utilitárias. É comum observar pessoas que transitam de amizade em amizade, não pela construção de vínculo, mas pela busca de vantagens: apoio momentâneo, status, dinheiro, contatos ou até validação emocional.

Continua após a publicidade

Mas o que está por trás desse comportamento?

Continua após a publicidade

A psicanálise nos ajuda a compreender que, muitas vezes, essas “amizades de proveito” não são apenas uma questão de caráter, mas revelam conflitos internos mais profundos.

Continua após a publicidade

O OUTRO COMO OBJETO DE USO

Na teoria psicanalítica, especialmente em Donald Winnicott, existe a ideia de que o amadurecimento emocional envolve reconhecer o outro como um ser separado, com desejos e limites próprios. Quando isso não acontece, o indivíduo passa a enxergar o outro como um objeto de uso, ou seja, amizade só existe enquanto há benefício

·       O vínculo é descartável!

O afeto é condicionado, nesse cenário, o “amigo” não é alguém com quem se constrói, mas alguém de quem se extrai.

O CICLO,USAR, DESCARTAR E SUBSTITUIR

Existe um padrão bastante claro nesse tipo de comportamento, aproxima-se de alguém que oferece alguma vantagem, cria uma falsa intimidade, extrai o que precisa (emocional, financeiro, social), afasta-se quando o outro já não “serve”, parte para o próximo!

Esse ciclo revela uma incapacidade de sustentar relações reais  porque relações reais exigem troca, limite e frustração.

E quem vive apenas em função do próprio benefício não tolera frustração.

VAIDADE E NECESSIDADE DE VALIDAÇÃO

A vaidade, nesse contexto, vai muito além da aparência. Trata-se de uma necessidade constante de ser visto, reconhecido e valorizado.

Segundo Freud, o ego busca constantemente formas de se sustentar, quando esse ego é frágil, ele depende do outro como espelho.

Essas pessoas precisam estar cercadas de quem “agrega valor” à sua imagem.

·       Buscam relações que aumentem seu status

·       Evitam vínculos onde não há ganho visível

·       A amizade deixa de ser encontro e passa a ser estratégia.

IMATURIDADE EMOCIONAL, NÃO SABER SUSTENTAR VÍNCULOS

A dificuldade em manter amizades verdadeiras está diretamente ligada à falta de amadurecimento emocional.

Amadurecer implica:

·       Saber lidar com frustrações

·       Respeitar o tempo do outro

·       Construir relações sem ganhos imediatos

·       Quem não amadureceu emocionalmente:

·       Se entedia facilmente nas relações

·       Só se mantém onde há recompensa

·       Foge quando precisa se responsabilizar

·       Julga constantemente os outros, colocando sua própria opinião como superior

·       Tem necessidade de estar sempre certo, principalmente quando sua imagem ou vaidade está em jogo

·       Não aceita ser contrariado, pois qualquer discordância é sentida como ataque pessoal

Aqui, não se trata apenas de imaturidade, mas de uma estrutura emocional frágil, que precisa se impor para não entrar em contato com suas próprias inseguranças.

Por isso, essas pessoas vivem em constante troca de círculos sociais, não por evolução, mas por incapacidade de permanecer.

A LIGAÇÃO COM A DESORGANIZAÇÃO FINANCEIRA

Um ponto pouco falado, mas extremamente relevante, é a relação entre esse comportamento e a falta de planejamento financeiro, muitas dessas pessoas:

·       Dependem de outros para manter seu estilo de vida

·       Buscam amizades que tragam benefícios materiais

·       Usam vínculos como forma de sobrevivência

·       Nesse caso, a amizade se torna um recurso.

E isso cria um padrão perigoso, o outro deixa de ser escolha e passa a ser necessidade.

O VAZIO POR TRÁS DO USO

Apesar de parecerem sempre cercadas de pessoas, essas pessoas frequentemente vivem um profundo vazio.

Porque relações baseadas em interesse:

·       Não geram pertencimento

·       Não sustentam afeto real

·       Não criam segurança emocional

No fundo, há uma dificuldade de construir identidade própria, sem isso, o indivíduo precisa constantemente “se apoiar” em alguém.

Enfim amizades verdadeiras não se sustentam no que o outro pode oferecer, mas no que é possível construir juntos, quando o outro vira um meio, o vínculo deixa de existir.

E quem vive usando pessoas, no final, revela não poder contar verdadeiramente com ninguém,  nem consigo mesmo.

Quem transforma pessoas em degraus, nunca aprende a construir caminhos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Alô Terapia, com Adriana Ferreira
Sobre o blog/coluna
Adriana Ferreira é psicóloga e psicanalista. Ela atua há 30 anos cuidando da saúde mental. Adriana também é comunicadora, com experiências em rádios, televisão e na internet.
Ver notícias
Campinas, SP
23°
Parcialmente nublado

Mín. 14° Máx. 26°

23° Sensação
1.9km/h Vento
49% Umidade
0% (0mm) Chance de chuva
06h49 Nascer do sol
17h35 Pôr do sol
Seg 27° 14°
Ter 22° 13°
Qua 22° 13°
Qui 24° 11°
Sex 26° 13°
Atualizado às 17h01
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,17 +0,00%
Euro
R$ 5,91 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 343,029,02 +0,09%
Ibovespa
174,070,27 pts 0.74%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade