
Pode parecer brincadeira de mau gosto, mas não é. O presidente da Câmara de Campinas, Luiz Rossini, decidiu que é uma boa ideia eleger o jornal Correio Popular, aquele com dezenas de condenações na Justiça por não pagar seus funcionários, como uma empresa cidadã. Isso mesmo. Você não leu errado. Em Campinas, caso você decida não pagar seus funcionários por anos, você é homenageado pelo vereador Luiz Rossini.
E a história não para aqui. Ao invés do projeto tramitar de forma normal, por algum motivo que não sabemos, Rossini ainda pediu a inclusão dele na pauta para votar de forma urgente. Isso significa que o Projeto de Decreto Legislativo será apreciado na sessão desta segunda-feira - e muito provavelmente aprovado.
No projeto, Rossini diz que o Correio Popular "envolvido totalmente com os fatos do município, colabora efetivamente com as instituições de caridade, benemerência e filantropia, divulgando gratuitamente suas iniciativas das mais diversificadas, sem exceção".
Deve ser triste ao trabalhador, que até hoje tenta reaver o dinheiro pelo qual tem direito por anos de trabalho, ler que o jornal é um exemplo de caridade e filantropia.
O Correio Popular já foi condenado, seja de forma individual ou coletiva, a pagar o que deve a todos os jornalistas e trabalhadores administrativos, considerando salários (incluindo décimos-terceiros), férias, vale-alimentação, verbas rescisórias, valores relativos aos depósitos de FGTS e acréscimo de 40% do Fundo em relação à rescisão.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo repudiou a ação do parlamentar. "A Regional Campinas do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e a Fenaj recebem com indignação a homenagem que a Câmara Municipal de Campinas deve aprovar na noite de hoje, 5 de junho, a qual agracia o jornal Correio Popular concedendo o Diploma Empresa Cidadã, disse a nota oficial.
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