
O jornalista e testemunha ocular da história que narra, João Nunes, lançou na noite de segunda-feira (28), no Facca Bar, na região central de Campinas, o livro “Paulínia, Uma História de Cinema”, sobre a criação e abandono do que era para ser uma segunda fonte de renda para a cidade, além do petróleo, e gerar milhares de empregos. Profissionais do cinema, profissionais de comunicação e amigos do autor compareceram ao evento.
Idealizador e criador do polo, o ex-prefeito de Paulínia Edson Moura (MDB), a sua esposa Nani Moura (MDB), seu filho Moura Junior (MDB), que também governou a cidade entre julho de 2013 a fevereiro de 2015, fizeram questão de prestigiar o lançamento.
“João Nunes é um grande jornalista e escreveu um livro que recomendo aos moradores de Paulínia. O polo foi criado para promover cultura, riqueza e empregos. Infelizmente, hoje está abandonado por políticos que não pensam nos interesses do povo, e não conseguem pensar a longo prazo”, disse Edson Moura, que adquiriu um livro e disse que começaria a lê-lo na mesma noite.
Nani Moura (MDB), que na eleição suplementar ficou em segundo lugar, destacou o legado de seu marido como prefeito. “O livro registra mais uma criação importante do Edson, que também trabalhou muito em prol da saúde, educação e segurança. O legado positivo dele para Paulínia merece ser copiado e revivido”, observou Nani. Ela também adquiriu um exemplar do livro e relatou que começaria a leitura antes de dormir.
Quando o polo estava ativo, entre 2004 e 2015, conforme narrado por Nunes, a região viveu uma nova efervescência cultural, com grandes produções sendo gravadas em Paulínia, mão-de-obra para o cinema foi formada, profissionais foram contratados e a rede de serviço foi beneficiada, com pessoas que se hospedavam em hotéis e frequentavam restaurantes, por exemplo.
Na época, O Theatro de Paulínia Paulo Gracindo recebia grandes eventos e estreias de filmes, como o lançamento de Tropa de Elite 2. Até a Filarmônica de Israel, com o maestro Zubin Metha, fizeram concertos no imponente e confortável teatro. Hoje, está tudo abandonado e o atual prefeito Du Cazellato (PSDB), conforme disse durante a campanha, não tem a mínima ideia em aproveitar a estrutura já existente e retomar o polo de cinema.
Livros
Publicado pela Paco Editorial e 214 páginas, os livros estão sendo comercializados por R$ 45 e podem ser adquiridos pelo site https://editorialpaco.com.br/contato/. O telefone de contato é (11) 4521-6315 e o WhatsApp (11) 9 6347-9321.
História
No livro, o jornalista relata dados como a produção de cerca de 45 filmes e seis festivais em nove anos até a extinção do polo em 2014. Nunes narra cronologicamente a construção de um teatro grandioso para 1,3 mil lugares, dois estúdios pequenos, um médio e um grande, comenta bastidores de diversos filmes rodados na região.
Crítico de cinema e um dos profissionais mais conceituados da área no Brasil, Nunes detalha também todos os passos dos seis festivais, conta episódios que só ele presenciou, entrevista alguns dos protagonistas da história e fala dos desencontros políticos que motivaram o fim da experiência cinematográfica na cidade.
Prefácio
Autor do prefácio, o presidente da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) Paulo Henrique Silva, escreve: “É esse rico bastidor que vemos detalhado na escrita refinada, saborosa e levemente irônica de João Nunes, jornalista do jornal Correio Popular de Campinas, testemunha privilegiada do nascimento e da falência do festival. A história do festival está profundamente identificada com o autor. Em cada linha registrada neste livro, a sensação é de que Nunes está contando um pouco de suas inquietações de vida”, afirmou
Trechos do livro de João Nunes:
“Por ter me identificado afetivamente com essa experiência, decidi escrever em primeira pessoa. Afinal, este é menos um livro sobre a história do polo e do festival e mais um depoimento a respeito do que o cinema me proporcionou ver e sentir em Paulínia. Por conta dessa identificação, estabeleci uma intimidade com ele, mas foi uma aproximação distanciada porque busquei incessantemente não perder o olhar crítico do jornalista.”
“Em Paulínia, depois da coletiva de imprensa, tive o prazer de tomar um cafezinho com Franco Nero, o pistoleiro de Django (Sergio Corbucci, 1966) e o tenente gay de Querelle (Rainer Werner Fassbinder, 1982). Em 2011 ele veio filmar As Memórias que me Contam (Lúcia Murat). É estranho e desconfortável estar diante de um ícone que se conheceu há mais de cinquenta anos e não na vida real, mas no cinema. E com um detalhe importante: eu o conhecia, ele não sabia nada de mim. De repente, estamos juntos trocando gentilezas. Ele me sorri, eu lhe ofereço açúcar e tomamos o café em silêncio.”
“Afora os prazeres pessoais do meu trabalho, havia algo muito mais relevante acontecendo: parte do cenário dos filmes brasileiros sofrera mudança radical. Nos filmes rodados em Paulínia e na região metropolitana não havia Cristo Redentor nem Avenida Paulista, tampouco Masp ou Pão de Açúcar ou panorâmica sobre a grande cidade ou praia de Copacabana. Havia outros brasis – e eles são muitos. Se fosse apenas esse o ganho do polo de Paulínia, já teria sido bastante. A mudança de cenário foi apenas um deles – e revestido de profundo significado.”
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