
Após dois anos sem ser realizada, a tradicional Festa do Boi Falô foi realizada no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, na manhã da Sexta-eira Santa (15). A decoração da festa foi realizada pelo grupo EntreFios e Memórias, do Coletivo Casarão.
O público fez fila para a macarronada que é benzida pelo padre. Na praça, diversas apresentações culturais com o Grupo A Camaleoa Produções, Grupo As Caixeiras das Nascentes, Grupo Savuru, contação de histórias com Ulisses Junior e a participação da CEI Agostinho Pattaro, para apresentar o resultado de um estudo sobre a lenda.
Essa foi a 26ª edição da Festa do Boi Falô, que foi realizada presencialmente depois de dois anos sem as celebrações por causa da pandemia de covid-19.
Sobre a lenda, várias versões
O evento é considerado a maior celebração popular do Distrito de Barão Geraldo. A lei nº 8907 torna oficial a Festa do Boi Falô, que passou a integrar o Calendário Oficial do Município de Campinas.
Por se tratar de uma lenda, há várias versões do Boi Falô, que são contadas de diferentes maneiras. Moradores de Barão Geraldo, da Comissão Pró-Memória de Barão Geraldo, têm uma versão que não contém a figura do Toninho nem a do Barão Geraldo de Rezende. Segundo esses moradores do distrito, o episódio ocorreu no Capão do Boi, que era um pequeno bosque na entrada de Barão Geraldo, derrubado para a construção, por volta de 1974, da Avenida Romeu Tórtima, no passado conhecida como Avenida 1.
De acordo com esses moradores, a versão da lenda tradicional conta que, numa Sexta-Feira da Paixão, um capataz da Fazenda Santa Genebra pediu a um caboclo, escravizado ou empregado (existem as duas versões), que fosse buscar uns bois que ficaram deitados no Capão do Boi. O escravizado (ou empregado que, em uma das versões era um adolescente que estava acompanhado pelo seu cachorro) foi até o Capão do Boi com uma vara e, lá chegando, começou a tocar os bois. Com a insistência, um dos bois bradou: “Hoje não é dia de trabalhar! Hoje é dia de Nosso Sinhô Jesus Cristo!”.
O rapaz, assustadíssimo, correu de volta para contar o fato ao capataz, que não acreditou. Depois de brigar com ele, foi junto (a cavalo) até o Capão do Boi e mandou o rapaz tocar o boi. Ao ser tocado, o boi novamente disse: “Hoje não é dia de trabalhar! Hoje é dia de Nosso Sinhô Jesus Cristo!”. Apavorados, o capataz e o rapaz retornaram para a Fazenda, e o capataz decidiu ir para sua casa, onde não saiu mais naquele dia.
A versão com Toninho e o Barão
A festa foi criada em 1988 para comemorar o centenário da Abolição, já que a lenda do Boi Falô também é popularmente contada na história do escravizado Toninho, forçado a trabalhar numa Sexta-Feira Santa. Ele obedeceu e, chegando ao pasto, o boi olhou para ele e disse: "Toninho, hoje não é dia de trabalhar, hoje é dia de se guardar".
O escravizado correu para a sede da Fazenda gritando: “o boi falô, o boi falô!” e contou o que havia acontecido e, naquele dia, ninguém trabalhou. O capataz, que era homem descrente, virou rezador, e Toninho virou pessoa de confiança do Barão Geraldo de Rezende, trabalhando dentro da casa até sua morte, quando foi enterrado ao lado do Barão por seus serviços prestados à família.
No dia de Finados, o túmulo de Toninho é um dos mais visitados na cidade.
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