
Em determinado reino, numa época que não podemos classificar como sendo passado, futuro ou presente, ocorreu uma história de vida e morte. Preste atenção, caro leitor. Irei gastar um pouquinho de seu tempo para narrar fatos muito importantes.
Uma doença mortífera se espalhou pelo mundo afora. O desespero estava na ordem do dia. Muitos idosos, enfermos e pobres, quando eram infectados pela moléstia, rapidamente morriam.
Até jovens belos e vigorosos, com uma existência para desfrutar, faleceram em decorrência da mazela.
Mas a esperança e a inteligência são substantivos inerentes da realidade humana. Sábios, que moravam muito longe, descobriram um elixir esplendoroso, com poder de curar todo aquele mal.
Alquimistas de todos os lugares aprenderam a receita do remédio. A produção, que no início era muito pequena, foi enviada em doses contadas para a terra inteira.
Como forma de Justiça, a cura deveria ser distribuída, em primeiro lugar, para quem mais precisava, ou seja, os idosos, adoentados e pessoas que combatiam a praga e cuidavam dos enfermos.
Porém, o rei desse pedaço de chão do qual estamos falando, um homem muito mau, mas que fingia ser bom, na calada da noite, com comparsas trapaceiros, subtraíram doses do elixir e deram, passando à frente de quem deveria receber a sua parte, para parentes, amigos e ministros poderosos.
Com isso, muita gente foi pega pela doença e morreu. Essas pessoas deveriam viver, mas porque foram enganadas e passadas para trás pelo rei, sofreram essa grave e irreparável injustiça.
Homens bons daquele reino descobriram essa maldade. E, como era de se esperar, ficaram enfurecidos com aquela trapaça, contra a saúde coletiva de todos os súditos.
Para fazer Justiça, os homens bons denunciaram a história na Justiça, e contaram para a comunidade a crueldade e enganação que tinha ocorrido. Todos ficaram revoltados e, num ato de honra e coragem, expulsaram o rei mau de seu posto.
Como grande covarde que é, o rei tentou esconder a história, manipular e mais uma vez trapacear. Mas as provas dos desvios, ou furtos, do elixir eram incontestáveis. A única saída foi o silêncio e o banimento eterno da vida pública.
O rei mau fugiu com muito ouro, desviado dos cofres públicos, para um lugar distante.
Mesmo muito rico, o pérfido nunca conseguiu ter nenhum tipo de felicidade.
As almas penadas dos súditos que morreram, porque ficaram sem o elixir que lhes era devido, o atormentam com visões medonhas, gargalhadas sinistras e perturbações indizíveis.
Depois do luto, muito choro e sofrimento, e principalmente, tempo, o reinado voltou a ser um lugar de esperança, paz, acolhimento, bondade e de igualdade entre os humanos.
Continua nas próximas colunas...
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