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João Nunes lança livro sobre a criação e abandono do Polo Cinematográfico de Paulínia

Evento será no Facca Bar, no Centro de Campinas, no próximo dia 28

09/10/2019 às 18h50 Atualizada em 09/10/2019 às 18h57
Por: Zatum Notícias Fonte: Da Redação
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O jornalista João Nunes, que é testemunha ocular da história que conta (Crédito: arquivo pessoal)
O jornalista João Nunes, que é testemunha ocular da história que conta (Crédito: arquivo pessoal)

João Nunes, crítico, um dos jornalistas que mais conhecem cinema no Brasil e testemunha ocular da história que narra, lança o livro “Paulínia – Uma História de Cinema”, no dia 28 de outubro, uma segunda-feira, a partir das 18h30, no Facca Bar, na rua Conceição, no Centro de Campinas. Interessados poderão adquirir o livro, com autógrafos do autor. A obra será publicada pela Paco Editorial. 

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O polo começou a ser construído em 2005, pelo ex-prefeito Edson Moura (MDB) e movimentou a RMC (Região Metropolitana de Campinas) e pretendia ser uma fonte de renda a mais para a cidade, que ainda hoje depende dos royalties da Replan (Refinaria do Planalto Paulista). O polo também ganhou destaque nacional e até internacional.

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No livro, o jornalista relata dados como a produção de cerca de 45 filmes e seis festivais em nove anos até a extinção do polo em 2014. Nunes narra cronologicamente a construção de um teatro grandioso para 1,3 mil lugares, dois estúdios pequenos, um médio e um grande, comenta bastidores de diversos filmes rodados na região. 

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Crítico de cinema e um dos profissionais mais conceituados da área no Brasil, Nunes detalha também todos os passos dos seis festivais, conta episódios que só ele presenciou, entrevista alguns dos protagonistas da história e fala dos desencontros políticos que motivaram o fim da experiência cinematográfica na cidade.

Filmes

Vários dos filmes rodados na região se transformaram em sucesso nacional, tais como Chico Xavier (Daniel Filho), O Palhaço (Selton Mello), Ensaio sobre a Cegueira (Fernando Meirelles) e Vai que dá Certo (Maurício Farias e Calvito Leal). Até Tropa de Elite 2 (José Padilha), a maior bilheteria do cinema brasileiro, com mais de 11 milhões de ingressos vendidos, recebeu suporte financeiro de Paulínia para o lançamento, que aconteceu nacionalmente na cidade, atraindo imprensa do Brasil inteiro.

Tudo isso é escrito em primeira pessoa, o que faz do narrador um personagem do livro: o jornalista que acompanhou o processo desde o primeiro anúncio da construção do polo até o desmanche de uma estrutura que em pouco tempo passou a ser o centro das atenções do audiovisual brasileiro.

Prefácio

Autor do prefácio, o presidente da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) Paulo Henrique Silva, escreve: “É esse rico bastidor que vemos detalhado na escrita refinada, saborosa e levemente irônica de João Nunes, jornalista do jornal Correio Popular de Campinas, testemunha privilegiada do nascimento e da falência do festival. A história do festival está profundamente identificada com o autor.  Em cada linha registrada neste livro, a sensação é de que Nunes está contando um pouco de suas inquietações de vida”, afirmou

Trechos do livro de João Nunes:

“Por ter me identificado afetivamente com essa experiência, decidi escrever em primeira pessoa. Afinal, este é menos um livro sobre a história do polo e do festival e mais um depoimento a respeito do que o cinema me proporcionou ver e sentir em Paulínia. Por conta dessa identificação, estabeleci uma intimidade com ele, mas foi uma aproximação distanciada porque busquei incessantemente não perder o olhar crítico do jornalista.”

“Em Paulínia, depois da coletiva de imprensa, tive o prazer de tomar um cafezinho com Franco Nero, o pistoleiro de Django (Sergio Corbucci, 1966) e o tenente gay de Querelle (Rainer Werner Fassbinder, 1982). Em 2011 ele veio filmar As Memórias que me Contam (Lúcia Murat). É estranho e desconfortável estar diante de um ícone que se conheceu há mais de cinquenta anos e não na vida real, mas no cinema. E com um detalhe importante: eu o conhecia, ele não sabia nada de mim. De repente, estamos juntos trocando gentilezas. Ele me sorri, eu lhe ofereço açúcar e tomamos o café em silêncio.”

“Afora os prazeres pessoais do meu trabalho, havia algo muito mais relevante acontecendo: parte do cenário dos filmes brasileiros sofrera mudança radical. Nos filmes rodados em Paulínia e na região metropolitana não havia Cristo Redentor nem Avenida Paulista, tampouco Masp ou Pão de Açúcar ou panorâmica sobre a grande cidade ou praia de Copacabana. Havia outros brasis – e eles são muitos. Se fosse apenas esse o ganho do polo de Paulínia, já teria sido bastante. A mudança de cenário foi apenas um deles – e revestido de profundo significado.”

Serviço

O que: Lançamento do livro Paulínia – Uma História de Cinema, de João Nunes (Paco Editorial)

Quando: Dia de 28 de outubro de 2019, a partir das 18h30

Onde: No Facca Bar (Rua Conceição, 157, Centro, Campinas

Preço do livro: R$ 37,90

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