
A situação de Du Cazellato (PSDB) dentro de seu partido é das mais delicadas. O Diretório Estadual deverá informar para o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo que a convenção realizada no dia 25 de julho, em que o eleito foi escolhido como candidato, não teve validade. A direção estadual pretendia indicar outro nome, ou apoiar outra coligação para a eleição suplementar do dia 1º de setembro.
Judicialização
Caso os desembargadores também entendam que a convenção foi irregular, o tucano deixa o cargo e o presidente da Câmara de Paulínia assume o posto. Em primeira instância, a juíza Eleitoral Marta Brandão Pistelli entendeu que o processo de escolha foi legal. Agora, a expectativa é que no início de outubro o caso seja julgado.
Entenda a contenda
Antes da eleição, Rogério Mion, aliado e fiel escudeiro da família Macris, de Americana, havia sido nomeado interventor do PSDB local. A ação contou com amplo apoio do presidente Estadual do PSDB, Marco Vinholi.
Apoios
Cazellato tem apoio político do deputado federal Carlão Sampaio (PSDB), inimigo mortal do também deputado federal Wanderley Macris (PSDB). Os dois disputam, em tese, a mesma base eleitoral na RMC (Região Metropolitana de Campinas). Por tabela, Carlão é desafeto de Cauê Macris (PSDB), filho de Wanderley e atual presidente da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo).
Interessante
Importante lembrar que Mion é cargo comissionado na Alesp e trabalha diretamente com o presidente da Casa.
Alesp
Cauê foi escolhido presidente da Alesp com amplo apoio do governador João Dória (PSDB). Por tais motivos, Cazellato, apesar de ter sido eleito prefeito de uma das cidades mais importantes do Estado de São Paulo, ainda não foi recebido por Dória, e talvez nunca seja. Afinal, Du integra o grupo de Carlão, que no plano federal é aliado do criminoso Aécio Neves (PSDB).
Relevância
Importante lembrar que Dória defende a expulsão de Aécio do PSDB. Já Carlão se absteve de votar, em agosto, quando o partido teve a oportunidade de expulsar o maior criminoso de Minas Gerais. Com a abstenção, Sampaio acabou beneficiando o aliado político e amigo que pediu propina para a JBS e que ainda disse que "mataria o primo antes de uma delação". Além disso, Sampaio foi, em 2014, o coordenador da campanha presidencial do "Mineirinho". Como podem ver, Cazellato faz parte da escória do PSDB. Outro dado importante é que o racha local do PSDB tem contornos estaduais e até nacionais.
Não estranhem
Não estranhem se nomes ligados a Carlão, como Beto Cavallaro, que foi secretário de Governo do prefeito cassado Dixon Carvalho (Progressistas), retornarem com cargos do primeiro escalão na Prefeitura de Paulínia. Aliás, parte dos tucanos ligados a Dixon apoiaram Cazellato no pleito suplementar.
Mudança
Nos bastidores, a conversa que corre é que após assumir o cargo de prefeito, Cazellato vai para o PSB. Não à toa o tucano foi recebido por Jonas Donizette (PSB), logo após a vitória nas urnas. No entanto, tal mudança em nada muda a situação jurídica da convenção, que realmente corre sérios riscos de ser anulada. Como se vê, Paulínia mais uma vez vive uma situação de instabilidade política. A briga no ninho tucano está longe de acabar e mais uma vez, os principais prejudicados serão os moradores de Paulínia, principalmente os mais carentes.
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