
“Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro que lhe atire uma pedra”, disse Jesus para os hipócritas que pretendiam apedrejar uma mulher adúltera. O nobre vereador João Mota não foi apedrejado, com um processo por quebra de decoro parlamentar, no caso das “rachadinhas”, na Câmara de Paulínia, pelos mesmos motivos que livraram a errante de ser morta.
Ninguém deu uma palavra sobre a questão. Como na parábola de Cristo, os fariseus locais precisaram ficar em silêncio.
Infelizmente, o péssimo hábito pegar parte dos salários dos assessores, no legislativo paulinense, é algo institucionalizado.
Os vereadores retém valores indevidos para comprar cestas básicas, pagar funcionários não nomeados, para repartir entre famílias de apoiadores, quitar contas de eleitores e, cinicamente, até para uso pessoal.
No entanto, a sociedade civil, integrantes destemidos do MP (Ministério Público) e, principalmente os eleitores, não aceitam mais tais falcatruas com o dinheiro dos pagadores de impostos.
É necessário uma tomada de consciência, com o objetivo de abandonar tais imoralidades. Os vereadores precisam usar os cargos para nomear gente qualificada, com boa formação acadêmica e competência na formulação de políticas públicas.
Indicar cabos eleitorais incompetentes, que não sabem riscar o “o” com um copo, nivela por baixo legislativo e facilita a ocorrência de iniquidades.
No mundo de hoje, fazer “rachadinha” causa problemas na Justiça, faz perder o cargo e pode resultar em prisão. Não é sem motivos que alguns parlamentares são investigados pelo Ministério Público em processos que correm em segredo de Justiça.
Tais fatos desmoralizam, geram indignação nos cidadãos e, infelizmente, descredenciam a política. Os danos para a sociedade são imensos. Por isso, a Câmara de Paulínia precisa deixar de ser o “reino da rachadinha”.
Mín. 14° Máx. 26°