
Campinas voltou a figurar no radar de uma investigação da Polícia Civil que apura a tentativa de infiltração do chamado "núcleo político do Primeiro Comando da Capital (PCC)" em estruturas públicas. Segundo a apuração, houve articulação política na cidade entre 2015 e 2017, durante a gestão do ex-prefeito Jonas Donizette (PSB).
De acordo com os investigadores, o ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula (PSD) teria atuado em Campinas com o objetivo de abrir portas no ambiente político. Ele apresentava projetos ligados a uma fintech e articulava propostas legislativas, alianças partidárias e aproximação com agentes públicos.
Um dos novos elementos da investigação envolve Mateus Rosa Tognella, atual secretário-adjunto de Promoção Social de Nova Odessa, presidente do Diretório do PSB na cidade e ex-assessor do deputado federal Jonas Donizette em Brasília.
Conforme a Polícia Civil, Tognella foi alvo da Operação Contaminatio. Ele ocupou cargos na Prefeitura de Campinas entre 2013 e março de 2021, incluindo assessor técnico no gabinete do prefeito e coordenador na Secretaria Municipal de Educação. O período abrange a gestão de Jonas Donizette e o início do primeiro mandato de Dário Saadi (Republicanos).
Deflagrada na segunda-feira (27), a operação resultou na prisão de seis investigados e no cumprimento de mandados de busca em diversas cidades. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos.
De acordo com as investigações, o grupo teria ligação com o PCC e estruturava um "núcleo político" para acessar recursos públicos e ampliar atividades ilícitas. Entre as estratégias identificadas está a criação de uma fintech com potencial para operar serviços financeiros de prefeituras, como emissão de boletos e gestão de receitas — mecanismo que poderia dar aparência legal a recursos de origem criminosa.
Em Campinas, a investigação não aponta, até o momento, que as articulações tenham sido efetivadas. Ainda assim, o município foi incluído entre os alvos das diligências, com um mandado cumprido na região da Vila Brandina.
Deputado federal Jonas Donizette (PSB)
Por meio de nota, o parlamentar "esclarece que Mateus Tognella não é mais assessor do gabinete desde fevereiro de 2025 e que a investigação não tem nenhuma relação com as atividades desenvolvidas no mandato. Jonas reafirma seu compromisso com a transparência e com a correta informação dos fatos".
Defesa de Mateus Rosa Tognella
A defesa afirmou que o nome de Tognella "teria sido apenas mencionado no curso das investigações, não havendo, até o presente momento, qualquer imputação formal, indiciamento ou acusação que o vincule à conduta ilícita". A nota ressalta que "a simples menção nominal em elementos informativos não constitui prova", e reforça os princípios da presunção de inocência, devido processo legal e contraditório. Tognella se disse à disposição das autoridades.
Em nota, a administração municipal informou que a operação "não tem relação com a atual administração" e reforçou seu "compromisso com a transparência, a legalidade e a colaboração com as autoridades sempre que necessário".
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