
O futebol de Campinas já teve constelações: Careca, Luís Fabiano, Neto, Amoroso, Jorge Mendonça e Dicá. Em 2026, a realidade é o fundo do poço. No ano passado, a Ponte Preta manteve o Guarani na humilhante Série C. Em janeiro, veio o troco com juros. O Bugre, com um jogador a menos, venceu a Macaca e rebaixou o rival para a Série A2 do Paulista. Chumbo trocado sob o deboche das redes sociais.
Os tempos gloriosos passaram. Gestores incompetentes comandam as agremiações. Torcedores vivem de memórias e lapsos de felicidade, como é a própria existência.
Cheguei a Campinas para aprender o ofício de jornalista. Queria escrever sobre política, crime e o cotidiano. No início da carreira, cobri clássicos no campo e frequentei coletivas de imprensa. Eu era um "caipira" de Cesário Lange, assustado com o tamanho da cidade. Segui pela política, mas poderia ter sido cronista esportivo. Escolhi outras veredas.
O que escreveria Nelson Rodrigues sobre essa inimizade local? Quais hinos Lupicínio Rodrigues comporia para esses times? O que penso sobre o futebol campineiro está em alguns jornais impressos da época e agora neste Zatum Notícias.
No Brinco de Ouro, é proibido entrar de preto e branco. No Moisés Lucarelli, verde e branco não entram. Duzentos metros separam os estádios e um abismo de ódio divide as torcidas. É a maior rivalidade do mundo. Eu vi.
Presenciei sangue, pauladas e voadoras no Largo do Rosário. Torcedores marcavam confrontos pelo WhatsApp enquanto a imprensa registrava as altercações.
Certa vez, em meio ao conflito, um torcedor me encarou: "Tu é bugrino, maleta?". Respondi rápido: "Sou macaco roxo, vamos ganhar das galinhas!". O sujeito sorriu e me deu cinco fichas de cerveja. Após o jogo, enviei a matéria para a redação e passei no bar pegar as latinhas. A Ponte venceu por 2 a 0. Voltei para casa feliz.
Mín. 14° Máx. 26°