
O papel do poder público é estabelecer prioridades que reflitam as necessidades mais urgentes da população. Em Mogi Guaçu, no entanto, a administração do prefeito Rodrigo Falsetti (PSD) parece operar com dois relógios distintos: um, paralisado para o essencial; outro, acelerado para o evento.
As provas estão no mapa de obras do Tribunal de Contas do Estado. As Estações de Tratamento de Água (ETAs) I e II, estruturas vitais que atendem a cidade desde 1969 e 1992, respectivamente, jazem em obras paralisadas. A ordem de serviço foi assinada em 2019, com prazo de 12 meses e um investimento público de R$ 6,6 milhões.
O projeto prometia modernizar o sistema, substituir a lavagem manual de lodo por automação e trazer eficiência a um serviço fundamental. Quatro anos depois, o que temos é a estagnação. A água que deveria fluir com mais qualidade para as torneiras dos guaçuanos encontra um gargalo na gestão.
Este cenário de abandono de uma obra de infraestrutura crítica, que impacta diretamente a saúde pública e a qualidade de vida, é inexplicável. Revela, no mínimo, uma grave falha de planejamento, fiscalização ou priorização por parte do executivo municipal. Onde está o recurso público? Por que a urgência de 2019 se dissipou?
O contraste, no entanto, não poderia ser mais revelador. Enquanto a obra pública essencial mofa, o prefeito se faz presente na iniciativa privada. Nesta semana, Falsetti foi a campo, não para vistoriar as ETAs paradas, mas para visitar e celebrar os “avanços” da obra do Hotel Taguá. Em suas redes sociais, agradeceu ao empresário pelo investimento e enalteceu a “força da parceria” que “gera desenvolvimento”.
Ninguém é contra parcerias ou investimentos privados. Eles são, de fato, importantes. Mas a função de um prefeito não é ser marketeiro de obras particulares. É, antes de tudo, garantir que os serviços públicos básicos – e a infraestrutura que os sustenta – funcionem. A mensagem que essa dupla velocidade passa é perversa: para o cidadão que depende de água tratada, a gestão é lenta e ineficiente; para o empreendimento privado de luxo no centro, há corte de fita, sorrisos e agradecimentos públicos.
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