
O domingo de finados foi chuvoso em Campinas. Céu fechado, clima de guarda-chuva e expectativa. Mas por volta das seis da tarde, como um presente divino aos fãs do pagode, a chuva resolveu dar um tempo. O sol apareceu, banhando o céu com aquele tom amarelado bonito de primavera.
E foi nessa brecha entre o cinza e o dourado que o Exalta subiu ao palco. Nova formação, diferente daquela que eu acompanhava nos anos 90, mas o mesmo nome carregado de história. O público apostou no céu limpo e chegou animado e curioso. Afinal, como se mantém viva uma banda que marcou gerações e continua na ativa?
Do meu canto, entre câmeras, luzes, backstage e gente dançando, percebi algo sutil: o Exalta de hoje não tenta competir com o que foi — apenas continua. E há uma beleza silenciosa nisso. A energia é mais madura, menos explosiva, mas ainda cheia de afeto. Os músicos tocam com respeito à memória do grupo, e o público responde com aquele canto uníssono que o samba provoca.
Reinventar-se é determinação e coragem. O Exalta preserva a nostalgia, ao mesmo tempo em que e aceita que o brilho pode vir de outro jeito, com outras caras, mas com a mesma essência.
Em Campinas o samba segue vivo — talvez porque nunca precisou ser reinventado, apenas lembrado.
O Exalta continua. O samba também. E a vida, como sempre, encontra um jeito de recomeçar entre um acorde e outro.
Mín. 14° Máx. 26°