
Engana-se quem está acreditando nos sorrisos e expressões de autoconfiança de Donald Trump sobre a suposta paz selada entre o Estado de Israel e os terroristas do Hamas. Não há como negar que a libertação dos reféns, de lado a lado, é um aceno positivo para um mundo mais civilizado. O cessar-fogo também é algo grandioso.
Mas muito precisa ser feito para uma convivência harmoniosa na costa oriental do Mar Mediterrâneo, no Oriente Médio. Em primeiro lugar, é necessário a formação do Estado Palestino, com uma governança independente e livre. Assim como Israel tem o direito de sua autodeterminação como povo, os vizinhos também o tem.
É necessário frear o espírito expansionista de uma facção da extrema direita israelense, que a cada dia quer aumentar o território. Outra medida fundamental é que Benjamin Netanyahu deixe o poder, e que ele seja julgado com isenção caso, de fato, tenha cometido crimes de guerra. O sucessor do atual primeiro-ministro precisa agir com mais pragmatismo e menos virulência.
Por outro lado, o Hamas precisa ser completamente desarticulado, e, principalmente, desarmado. O ataque contra jovens que se divertiam, em 7 de outubro de 2023, foi monstruoso e vil. Entretanto, há palestinos com vontade de dialogar, como boa parte dos integrantes do Fatah, que defendem uma relação amistosa com Israel.
Tais quadros políticos são os que devem ser levados em conta, e o povo palestino faria muito bem em permitir que os moderados governem.
Para a reconstrução das milhares de edificações destruídas da Faixa de Gaza, o dito mundo ocidental precisa abrir os cofres e financiar as obras. Uma mediação equilibrada, com atores e representantes de todos os lados, contribuirá para a civilidade.
Os habitantes da região, principalmente aqueles que perderam entes queridos, embora seja muito difícil e áspero, para que a fraternidade e paz possível possa ser de fato estabelecida, precisam viver o luto e olhar para o futuro, lutando para superar revanchismos e desejos de vingança.
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