
A Polícia Civil investiga a morte do menino Nycollas Otávio Machado, de 11 anos, morador de Mogi Guaçu, que morreu no domingo (23) passado. Prontuários médicos de três unidades de saúde serão avaliados, pelas autoridades e por um médico legista, para que seja descoberta, de fato, a razão do falecimento. Clique aqui, entre em nosso grupo de WhatsApp e receba as principais notícias da região em seu celular.
Nycollas era aluno da escola do 6º ano da Escola Estadual Francisco Antônio Gonçalves. Houve uma briga com outro menino, na escola, e Nycollas levou uma garrafada no joelho. No mesmo dia, ele começou a reclamar de fortes dores. Consta no atestado de óbito que a causa foi hemorragia gastrointestinal, úlcera no duodeno e infecção bacteriana em articulação.
O rapaz foi atendido no Hospital Municipal Tabajara Ramos, na Santa Casa de Mogi Guaçu e no Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Um dos objetivos é descobrir se a causa da morte está relacionada, de alguma forma, com a garrafada, e se houve algum tipo de negligência médica. O caso é apurado na CPJ (Central de Polícia Judiciária).
Os resultados dos exames, que devem ficar prontos em noventa dias, serão entregues para um médico legista.
BRIGA
A briga aconteceu no dia 24 de fevereiro passado. Foi nessa ocasião que a criança foi atingida com uma garrafa de alumínio. Quando chegou em casa, ele já estava com febre e não quis se alimentar, de acordo com a mãe dele, Thais Meire Machado.
No dia 26 de fevereiro, Nycollas teve uma febre de 39°C. Uma médica que atendeu disse que poderia ser dengue, e o garoto recebeu medicação intravenosa. Como estava mancando, foi realizado um exame de raio-x, mas não foi encontrada nenhuma lesão.
No dia 27 de fevereiro, o joelho estava inchado e ele não conseguia mais andar. Novamente, foi passada medicação para dengue. Um médico passou paracetamol,. Na Santa Casa, ele recebeu anti-inflamatório.
No dia 28 de fevereiro, foi passado dipirona e paracetamol. A mãe dele foi orientada a fazer compressas geladas na perna, e que o membro deveria ser mantido para o alto.
No início de março, no dia 1º, a situação piorou e Nycollas foi levado pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), da Santa Casa de Mogi Guaçu, para a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) pediátrica do Hospital das Clínicas da Unicamp. O menino foi intubado e ficou internado por 20 dias.
SOFRIMENTO DE MÃE
No domingo passado, após sofrer uma parada cardíaca, Nycollas faleceu. "O médico chegou a falar: 'mãe, não está quebrado o joelho. O exame de sangue, não fizeram. Nycollas estava com febre, pedindo socorro baixinho: 'mãe, tô com dor", contou Thais, que questiona os hospitais.
"O povo da Santa Casa, o pronto-socorro, foi negligência. Eles chegaram a fazer uma máquina lá depois que ele estava internado. Eu achei que deveria ter feito na hora. Não deveria ter liberado ele", reclamou a mãe.
"Tá difícil, não está fácil não. Dentro de casa, as coisas [dele], os materiais, os tênis dele, coberta. Não está sendo fácil. Eu peço Justiça pela negligência que foi. O que não pode é que aconteça com outras pessoas, outras famílias não passem pelo que a gente está passando", desabafou o padrasto Rodinaldo Gomes, para o G1 Campinas.
HOSPITAIS
O Hospital Tabajara Ramos informou que Nycollas chegou na unidade com dor no joelho, e que seguiu protocolos médicos, com a realização de exames de sangue e imagem, e que foi dada a medicação adequada.
A Santa Casa Mogi Guaçu comunicou que o menino foi atendido em razão das dores no joelho. Por conta da gravidade, foi feita a transferência para a UTI.
O Hospital das Clínicas da Unicamp informou que o jovem chegou com infecção generalizada, que foi realizada uma cirurgia e que o paciente chegou a ser estabilizado, mas o quadro piorou e ocorreu o falecimento.
Já a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo disse que acompanha o caso, que recebeu a notícia com pesar. A pasta ainda informou que profissionais do "Programa nas Escolas" vão prestar atendimento na escola.
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