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Feriado de 9 de Julho é homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932

Campinas foi uma das cidade envolvidas no conflito

09/07/2019 às 14h17 Atualizada em 09/07/2021 às 14h20
Por: Zatum Notícias Fonte: Raoni Zambi
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Mausoléu no Cemitério das Saudades em homenagem aos voluntários campineiros de 1932 (Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas)
Mausoléu no Cemitério das Saudades em homenagem aos voluntários campineiros de 1932 (Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas)

Instituído há 22 anos, em 1997 pelo falecido ex-governador Mário Covas, o feriado de 9 de Julho, da Revolução Constitucionalista de 1932, ainda causa dúvidas sobre os "porquês" de sua existência. Antes de tudo, é importante salientar que a data é um marco especial para os cidadãos que apreciam o Estado Democrático de Direito e as normas Constitucionais. 

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Em termos simples, hoje, celebra-se a revolta do povo paulista contra a ditadura de Getúlio Vargas, que em 1930 chegou ao poder por meio de um golpe, depondo o então Presidente da República Washington Luís  e impedindo que Júlio Prestes, o vencedor da eleição presidencial, assumisse o cargo.

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Era o fim do período que ficou conhecido como República do Café com Leite (1898-1930), em que as oligarquias mineiras, pecuaristas, e, paulistas, ligadas ao plantio de café, controlavam o poder.  Com a ação de Vargas, tais grupos econômicos perderam a grande influência que exerciam. 

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Assim, em 1930,Getúlio assumiu o comando da Nação e governava sem uma Constituição, um disparate. Ele dissolveu as Assembleias estaduais e as Câmaras de vereadores e, para piorar, nomeava interventores, ou governadores, nos Estados, na maior parte dos casos, sem nenhuma ligação com as comunidades locais.

Em São Paulo, um dos representantes do getulismo foi o militar pernambucano João Alberto Lins de Barros, que, entre outras coisas, tinha uma relação conflituosa com a elite paulista de plantão e permitiu o funcionamento do Partido Comunista. Imagine o barulho!!!

Indignados com tal situação, políticos que ficaram longe do poder, cafeicultores, intelectuais, industriais e parte da sociedade civil criaram a FUP (Frente Única Paulista).

O movimento queria a promulgação de uma Constituição e alguns desejavam até a separação do Estado, em relação às demais unidades federativas.

No dia 23 de maio, em um protesto contra a ditadura de Getúlio Vargas, próximo à Praça da República, em São Paulo, os estudantes  Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade foram assassinados. 

Por conta das mortes foi criado o movimento M.M.D.C, com as iniciais dos fuzilados pelas forças getulistas. O desfecho mais grave, de tal contexto extremamente controverso, foi a eclosão do movimento revolucionário paulista, que no dia 9 de julho de 1932 tomou quartéis e se rebelou militarmente contra o mandatário Getúlio Vargas.

Inicialmente, São Paulo esperava contar com o apoio bélico dos mineiros e ironicamente dos gaúchos, que na hora do “vamos ver” não entraram na contenda. 

Campinas

O conflito durou três meses, até outubro de 1932, e São Paulo lutou em condições adversas, sem o mesmo potencial de fogo em comparação com as forças do governo federal, que ainda dispunha dos “Vermelhinhos”, aviões que acabaram fazendo a diferença no litígio. 

Campinas, por ser um importante entroncamento de ferrovias, e, por isso, estratégica, foi duramente bombardeada. Tais histórias são relatadas de forma magistral por meu mestre na Puc-Campinas, no curso de Jornalismo, o professor Luiz Roberto Saviani Rey, no livro “O Menino Herói da Guerra Paulista – o bombardeio de Campinas”. 

A obra narra parte da história de Aldo Chioratto, menino escoteiro de nove anos que morreu em um bombardeio dos temidos “Vermelhinhos”, na região central de Campinas. O romance histórico, muito bem escrito, possui sólida fundamentação de pesquisa e é extremamente “saboroso”.

Além disso, no Cemitério das Saudades, em Campinas, também existe um mausoléu construído, em 1935, para soldados e voluntários da região que estiveram de alguma forma envolvidos na guerra e que perderam a vida. 

Aproximadamente 700 militares “bandeirantes” morreram, em três frentes de conflito. Embora os paulistas tenham perdido o conflito, no campo político, obtiveram vitórias significativas. Em 1933, Getúlio nomeou como interventor o paulista Armando Sales de Oliveira e em 1934 foi promulgada uma Constituição.

Político hábil, Getúlio entendeu o recado e contemplou os anseios da população da terra do padre jesuíta José de Anchieta, mesmo que momentaneamente, já que em 1937 ele daria outro golpe, com o Estado Novo, no contexto da Intentona Comunista de 1935. Mas isso é conversa para outra hora. 

Pontos de vista

Retomando, hoje, existem diversas narrativas sobre o período. O historiador e professor aposentado da USP (Universidade de São Paulo) Boris Fausto relatou que o movimento de 1932, ao mesmo tempo, olhou para o passado e futuro.  "Na primeira, estampava-se, de fato, sua vinculação com a velha política regional e com os interesses do que se convencionou chamar de burguesia cafeeira. Na segunda, surgia o desejo de uma ordem constitucional, com a garantia das liberdades civis e políticas, fosse instalada no país", escreveu em sua coluna no Jornal Folha de São Paulo, em 1998. 

Em nossos dias, grupos de direita e esquerda também têm percepções distintas sobre o período, e por incrível que pareça, até pontos de vista convergentes, especialmente sobre a necessidade de uma Constituição em Estados genuinamente democráticos e na legitimidade de o povo rebelar-se quando o poder é exercido de forma tirânica, ou sem os chamados pesos e contra-pesos. Apesar de vivermos em tempos binários, vamos destacar as convergências, ora bolas!!!

Bem, agora que você sabe um pouquinho mais sobre os motivos de 9 de julho ser feriado no Estado de São Paulo, só me resta agradecer pela leitura desejar-lhe uma ótima terça-feira e semana!!!

 

 

 

 

 

 

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Sobre o blog/coluna
Espaço para comentários sobre cidades da Região de Campinas. Raoni Zambi é jornalista formado pela Puc-Campinas, estudou comunicação política na USP (Universidade de São Paulo), fez um curso de Marketing Digital no Senac, trabalhou em jornais impressos diários, assessorias de imprensa, em campanhas eleitorais vitoriosas, coordena pesquisas eleitorais e foi assessor de políticos. Atualmente é aluno de pós-graduação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), no Labjor.
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