
Mogi Mirim está na fase Vermelha do Plano São Paulo desde o dia 6 de março. A cidade, tristemente, registrou 183 mortes em razão da covid-19. Somente serviços considerados essenciais podem funcionar. E não temos vagas em leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) há pelo menos 20 dias. A saúde pública entrou em colapso. O mês passado bateu o recorde de óbitos no município e no país. Infelizmente, vivemos o caos. A morte nos ronda.
No entanto, mesmo assim, o prefeito Paulo Silva (PDT) convocou uma coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (05), às 15h, no Salão Vermelho da Estação Educação, para anunciar o chamamento público de um programa que vai atender moradores de rua. Na prática, jornalistas ficaram em um mesmo espaço, talvez até aglomerados.
Não restam dúvidas de que atender os excluídos da sociedade é um gesto louvável, principalmente para as pessoas que ocupam funções públicas. Aliás, nesse caso, importante ressaltar, trata-se também de uma obrigação.
Mas usar tal fato para jogar confetes em si e ainda colocar a vida de profissionais da comunicação em risco, sem nenhuma necessidade, beira a psicopatia, fora a irresponsabilidade. O “Fique em Casa” é para ser levado a sério, principalmente por um prefeito que é médico e sabe de todos os riscos envolvidos.
Somente o governador João Dória (PSDB) tem feito coletivas de imprensa no Estado de São Paulo. E ainda assim para transmitir informações relevantes sobre o combate à pandemia.
Porém, em Mogi Mirim, o prefeito convocou os repórteres locais para passar uma informação que poderia ser enviada por e-mail, áudio de WhatsApp, transmissão ao vivo ou até por sinal de fumaça ou com a nobre colaboração de pombos correios!
Por se tratar da abertura de um chamamento público, ou de licitação, não há a mínima precisão de toda essa pirotecnia. Trata-se apenas de um serviço a mais que o governo vai oferecer e que para isso contratará uma empresa.
E se um jornalista, fotógrafo ou algum profissional for infectado pelo coronavírus na coletiva e precisar de uma vaga de UTI, em alguma outra cidade, porque aqui não tem, e morre? A responsabilidade será de quem?
É revoltante saber que o prefeito médico, logo no início do mandato, tem feito escolhas que valorizam mais o marketing e o histrionismo barato do que a vida.
Outro lado
Por meio de nota, Paulo Silva disse o seguinte:
"A área destinada à realização da entrevista é ampla e o número de representantes da imprensa permite ter um distanciamento que ultrapasse 1,5m, definido como preventivo.
Além disso, as medidas preventivas adotadas pela Prefeitura, no contato com a imprensa, seguem todos os protocolos sanitários".
Importante dizer que dezenas de milhares de pessoas no Brasil pegaram o coronavírus em ambientes que supostamente respeitavam as normas sanitárias, e, infelizmente, perderam suas vidas. Mais uma vez: caro Paulo Silva, o “Fique em Casa” é para ser levado a sério!
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