
Lula foi eleito presidente da República, em 2022, majoritariamente com o voto de mulheres, negros, negras, nordestinos e pobres. Ele até subiu a rampa do Palácio do Planalto com pessoas que simbolizam tais estratos sociais. As imagens rodaram o mundo, e naquele momento de festa até apontavam que o petista faria um governo de inclusão.
No entanto, passados 12 meses, com duas indicações para o STF (Supremo Tribunal Federal), Lula demonstra que prefere governar com figuras acostumadas às esferas de poder: homens brancos, de famílias abastadas, capachos e amigos que poderão servi-lo em possíveis momentos de agonia.
Neste mandato, o alvo Cristiano Zanin foi o primeiro indicado ao Supremo, apesar das críticas ponderadas sobre a nomeação do próprio defensor. Tal postura não é ilegal, mas com certeza foi imoral.
Na mesma toada, Lula indicou, como ele mesmo disse, o “comunista” Flávio Dino, outro homem branco, crescido numa família que desde o Brasil imperial frequenta os palácios.
O tetravô do novo ministro do STF, Francisco Manuel Antônio Monteiro Tapajós, foi um grande latifundiário do século dezenove na província do Grão-Pará, atual Belém, no Pará.
Francisco foi figura central contra a Cabanagem (1835-1840), revolta de pretos, povos originários (indígenas), analfabetos, homens escravizados e pobres. A insurreição lutou contra o autoritarismo português, escravidão, abandono da região pelo império, fome, doenças e isolamento político. O parente do ex-governador do Maranhão ajudou a destruir a luta dos excluídos.
Agora, com a indicação de Lula, Flávio Dino entra no lugar de Rosa Weber, que sugeriu o nome de uma mulher para assumir a vaga. A corte passa a ter 11 homens e apenas uma mulher, a ministra Cármen Lúcia.
Movimentos sociais defendiam a indicação de uma mulher negra para o lugar de Weber. Seria algo inédito. Mas o presidente, mais uma vez, virou as costas para o povo que o colocou no Palácio do Planalto, para governar com as mesmas elites de sempre.
Para piorar, a indicação em nada contribui para pacificar o Brasil. Pelo contrário, Dino no STF tenciona ainda mais a odienta polarização política. Bolsonaristas estão possessos com a nomeação. Basta analisar as redes sociais para ter essa compreensão. Também foi um erro político, contra a harmonia e paz institucional.
Uma mulher negra no Supremo, além de arrefecer o clima político, iria, principalmente, aumentar a pluralidade da corte, seria o início de uma reparação histórica na Justiça nacional e um grande incentivo para mulheres negras, que poderiam ter a escolhida como um bom exemplo. Importante lembrar que são as mulheres pretas que choram, como mães, os assassinatos de milhares de jovens negros, todos os anos. Mas Lula continua sendo Lula, e o Brasil continua sendo o Brasil.
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