
Lamentavelmente, o combativo vereador de Mogi Mirim Tiago Costa (MDB) foi cassado pela base fiel do prefeito Paulo Silva (PDT). Acusado de ter praticado ato de racismo ao colocar um boneco, feito com materiais pretos, amarrado no pelourinho que está instalado em frente à Câmara, na verdade, o emedebista foi defenestrado da Casa de Leis pelas críticas contundentes que faz contra a atual gestão. Nada tem a ver com preconceito racial. Vamos deixar a hipocrisia de lado e contemplar a verdade.
A luta para retirar um instrumento de tortura histórico defronte ao prédio do Poder Legislativo é justa, e precisa ter continuidade. No entanto, Tiago Costa cometeu um grave equívoco ao representar uma pessoa negra com um boneco todo mal ajambrado. A causa é honrada, mas em determinado momento, a execução foi horrível, e ponto. Não se cassa um vereador com grande representatividade, 1.083 votos, por um equívoco.
Aliás, a postura dos 14 parlamentares que condenaram Costa abre precedente para outros autoritarismos. Como se nota, na Câmara mogimiriana, basta ser oposição ferrenha e cometer uma falha para perder o mandato. Tiago Costa pagou o pato por ter coragem de apontar falhas, omissões e denunciar supostos casos de corrupção do governo pedetista. Outro motivo foi os entreveros, frequentes, com outros edis. Não tem nenhuma relação com racismo, sejamos francos. Se ele fosse da base do Poder Executivo, o resultado do julgamento seria o mesmo?
Como jornalista negro, posso afirmar que sofro preconceito de parte da classe política de Mogi Mirim. Inclusive, os ataques frequentes dos quais sou alvo, por parte dos integrantes do governo Paulo Silva, são, sim, racistas. Nunca a atual administração respondeu um questionamento do portal Zatum. Tenho tudo registrado. Por qual motivo? Se eu fosse branco, seria diferente?
Já Tiago Costa, desde que fui morar em Mogi Mirim, sempre me tratou de forma republicana, decente e respeitosa. Posso afirmar, com plena convicção, que ele não é racista. Ele pode ter errado na execução de algumas de suas ideias, mas não merecia aquele julgamento absurdo, imoral e até criminoso.
Usar como muleta o preconceito racial, um crime horripilante, para conduzir um processo “politiqueiro” e vexatório, na verdade, é bem típico daqueles que são os verdadeiros racistas e canalhas.
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