
A luta antiracista sempre contou com o apoio fundamental de mulheres e homens brancos, corajosos, que caminharam ombro a ombro com o povo preto na luta pela liberdade, direitos e conquista da cidadania. Por exemplo, o abolicionista John Brown, nos Estados Unidos, realizou diversas ações políticas e militares com o objetivo de acabar com a escravidão.
Brown, em 1859, coordenou o movimento de tomada do arsenal de Harpers Ferry, na Virgínia Ocidental. Na ocasião, ele acabou preso. Durante o julgamento, embora estivesse certo por querer o fim da opressão, John acabou sendo condenado ao enforcamento.
No entanto, os discursos que o líder abolicionista proferiu, diante do cadafalso e seus algozes, espalharam-se pela América do Norte e contribuíram, como sementes, para a abolição. "Aqui, diante de Deus, na presença dessas testemunhas, a partir dessa época, consagraria minha vida para a destruição de escravidão!”, disse Brown sobre a sua luta.
Em Mogi Mirim, o nobre vereador Tiago Costa (MDB) pode ser comparado com John. Como o abolicionista estadunidense, o mogimiriano seria capaz de arriscar sua vida para defender as causas que acredita e o povo preto, sempre com energia, destemor, discursos bem elaborados e honestidade.
Agora, com muita decência, Tiago Costa exige que o “pelourinho” instalado em frente à Câmara seja removido, e levado para o Centro Cultural, ou para algum museu. Com toda a razão do mundo, e coerência, o parlamentar afirma que um símbolo de espancamentos e torturas não pode ficar defronte à Casa do Povo.
Durante os 350 anos de escravidão no Brasil, depois de amarradas em pelourinhos, pessoas negras eram torturadas, surradas, barbarizadas com chicotes, abusadas sexualmente e mortas nesses equipamentos satânicos. “Estamos em um movimento antiracista. Queremos tirar esse símbolo do racismo e escravidão, que mancha a nossa história, e mandá-lo para um museu. Estou cumprindo meu papel como legislador”, explicou Tiago Costa.
O presidente da Câmara de Mogi Mirim, Dirceu da Silva Paulino (Solidariedade), um homem negro, faria muito bem em mudar de posicionamento e apoiar a medida defendida pelo emedebista. Alexandre Cinta (PSDB), outro parlamentar preto, honraria mais ainda sua linda história ao também exigir a remoção do pelourinho. Ou, agora que ambos têm “poder”, vão agir com a moralidade de "Capitães do Mato"?
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