
Com milhares de comércios fechados em razão da pandemia, aumento do desemprego, famílias pobres com dificuldades para comprar alimentos e grave crise econômica, o prefeito de Mogi Mirim, Paulo Silva (PDT), permitiu o aumento de R$ 4,20 para R$ 4,80 no valor da tarifa do transporte público.
O aumento é de 14%, bem acima da inflação de 2020, que ficou em 4,52%. Em 2021, o salário mínimo passou de R$ 1.045 para R$ 1.100, o que corresponde a um aumento de 4,26%.
Portanto, o reajuste da passagem em Mogi Mirim está acima do índice de inflação de 2020 e é maior do que o aumento real do salário mínimo.
A nova tarifa entra em vigor na segunda-feira (22).
Progressista?
Paulo Silva fez uma campanha eleitoral com base progressista e amparada na defesa dos mais pobres e trabalhadores. A narrativa política convenceu e o pedetista foi o vencedor no dia 15 de novembro de 2020.
Porém, na prática, pelos gestos iniciais, há uma nítida contradição entre o que foi dito na véspera da votação e as ações de início de mandato.
As famílias abastadas têm carro e não usam ônibus para se locomoverem.
Tal aumento vai prejudicar, principalmente, os trabalhadores mais pobres e pequenos e médios empresários, que precisam pagar o transporte de seus funcionários.
O prefeito faria bem em lembrar que é do PDT, ou o Partido Democrático Trabalhista, que foi criado justamente para defender os interesses dos trabalhadores. Leonel Brizola deve estar se revirando no caixão.
Ele deveria lembrar-se também dos protestos de junho de 2013, que começaram por conta do reajuste de vinte centavos na passagem, em São Paulo. Vai que a moda pega por essas bandas de Mogi Mirim, no auge da pandemia...
Com ações impopulares e que pesam no bolso dos mais humildes, que na prática servem para tirar comida da mesa dos mais carentes, Paulo Silva caminha, com passos ligeiros, para se tornar uma espécie de “Gustavo Stupp 2”.
Já vi esse filme algumas vezes em minha vida. É necessário mudar o leme para o “barco da popularidade” não afundar em um atoleiro de lama, críticas, maledicências e desgraças de toda sorte. Quem avisa, amigo é!!!
Remediar
Para tentar remediar a situação, Paulo Silva anunciou 26 mil passes para famílias em situação de fragilidade social e divulgou uma nota com justificativas sobre a decisão. Confira o texto divulgado pela administração sobre a questão do transporte público:
Sem reajuste, município corria o risco de ficar sem transporte coletivo
Após três anos sem reajuste da tarifa do transporte coletivo urbano, a Secretaria de Mobilidade Urbana autorizou alteração no valor da passagem. Para conceder o aval, técnicos da Secretaria analisaram as planilhas apresentadas pela empresa, a fim de que fosse assegurado o menor índice.
No documento foram elencados os sucessivos reajustes do combustível, a renovação de alguns veículos, por obrigação contratual, refletindo, portanto, no acréscimo tarifário. Outro ponto destacado foi o aumento de custos com manutenção de veículos e queda de passageiros.
Queda de passageiros
Em decorrência da pandemia, a queda de passageiros foi drástica. Entre março e novembro de 2019, 1.1019.996 pessoas utilizaram o transporte coletivo. No mesmo período, em 2020, a quantidade de passageiros caiu para 355.936. Em um ano houve a diminuição de 754.060 passageiros, o que acabou diretamente por influenciar a queda na arrecadação.
Regional
No comparativo com os valores de passagens em municípios vizinhos, Mogi Mirim apresenta a menor tarifa. Com o reajuste, o valor se equipara à média das demais cidades. Nesse quesito deve ser levado em consideração a quantidade de itinerários, o tamanho da cidade, o número de veículos, bem como a idade média da frota.
Mogi Guaçu: R$ 4,80
Itapira: R$ 4,50
Artur Nogueira: R$ 4,95
Santo Antônio de Posse: R$ 4,55
Holambra: R$ 4,55
Jaguariúna: R$ 4,90
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