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Gestão do prefeito de Mogi Guaçu, Rodrigo Falsetti, produz concurso de beleza racista e que exclui mulheres negras e indígenas

Mulheres negras e índias não podem participar do concurso, segundo o padrão estabelecido pela Secretaria de Cultura

14/06/2023 às 14h21 Atualizada em 15/06/2023 às 10h50
Por: Zatum Notícias Fonte: RAONI ZAMBI
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Gestão de Rodrigo Falsetti comete ato de racismo estrutural ao excluir mulheres negras e índias de concurso de beleza (Crédito: Câmara de Mogi Guaçu)
Gestão de Rodrigo Falsetti comete ato de racismo estrutural ao excluir mulheres negras e índias de concurso de beleza (Crédito: Câmara de Mogi Guaçu)

A Secretaria de Cultura de Mogi Guaçu lançou um concurso de beleza para selecionar 12 belas mulheres de países que contribuíram para a formação e desenvolvimento do Brasil. No entanto, nenhuma nação africana, ou de povo indigena, consta na lista de estados que serão homenageados pela administração. 

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Os povos que estão representados no concurso são: Alemanha, Bélgica, Brasil, Itália, Espanha, Portugal, Argentina, Holanda, Estados Unidos, México, Líbano e Reino Unido.

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Para piorar, o fenótipo, ou tipo físico predominante das nações escolhidas são de mulheres brancas e loiras. Segundo a prefeitura,  o objetivo principal desse evento é “valorizar as diversas culturas que contribuíram para a formação da sociedade brasileira”. “Queremos despertar a sensibilização da população em geral para a importância e riqueza das diferentes culturas”, diz outra parte da nota enviada pelo governo de Falsetti.

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Evidentemente, as pessoas que integram a gestão de Rodrigo Falsetti, e o próprio prefeito, estão reproduzindo racismo estrutural, e faltaram às aulas de história do Brasil. 

Em 523 anos, tivemos três séculos em que mulheres do continente africano foram trazidas à força para Terra de Vera Cruz, o primeiro nome dado aos invasores portugueses ao Brasil. Todas eram negras. 

Portanto, seria mais do que sensato e coerente que o concurso tivesse algum país africano, até para fazer jus ao divulgado pela Secretaria de Cultura. Dezenas de milhares de mulheres de territórios, atualmente conhecidos como os países de Moçambique, Angola e do Golfo do Benin, vieram para serem vilipendiadas com o trabalho forçado e exploratório no Brasil. 

Além disso, a força feminina dos povos originários também contribuiu, e muito, para a formação cultural, econômica e social do Brasil. Mas barbaramente nenhum desses povos está representado na festa das "Nações" de Mogi Guaçu. 

O esquecimento, intencional e por falta de caráter ou por pura ignorância, desses povos historicamente excluídos no concurso de beleza, tem relação direta com o racismo estrutural. 

Para parte da sociedade, somente os europeus foram, de fato, relevantes para a formação do país. Ao excluir negras e índias, a gestão de Rodrigo Falsetti mostra-se ignorante com a história de nosso povo, e incrivelmente segregacionista e racista. A verdade é essa.

Para minimizar a postura criminosa e vexatória, a Secretaria de Cultura de Mogi Guaçu faria muito bem em divulgar um pedido de desculpas e incluir, de forma mais do que justa, as etnias agora excluídas do referido concurso de beleza. E está dito. 

OUTRO LADO

No final da tarde de quarta-feira, a Secretaria de Cultura de Mogi Guaçu enviou o seguinte posicionamento:

"A Secretaria Municipal de Cultura esclarece, de pronto, que é irresponsável e inverídica a informação de que o Concurso Rainha das Nações exclui mulheres negras e indígenas. Esclarece ainda que as diretrizes do concurso fazem referência objetiva à agenda gastronômica da Festa das Nações, com alusão específica às nacionalidades que estarão representadas nas operações de alimentação disponíveis para o evento. Entre elas, é preciso ressaltar, está a brasileira, país de população majoritariamente negra e parda e de cultura fundamentalmente influenciada pelas heranças africana e dos povos originários. A afirmação, portanto, de que a iniciativa "exclui mulheres negras e indígenas" é uma infeliz negação da nossa própria história. Informação falsa, absolutamente incompatível com a realidade e com a boa prática jornalística, que reserva espaço à crítica, mas jamais à mentira.

A Secretaria ressalta, por fim, que defende todas as etnias, sem qualquer tipo de discriminação e preconceitos, e que promove durante todo o ano ações que contribuem para difundir a cultura africana, indígena e de outros povos que, por força de limitações práticas e logísticas do evento, não foram destacados nesta oportunidade, como árabes, judeus, asiáticos e outros".

 

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Sobre o blog/coluna
Espaço para comentários sobre cidades da Região de Campinas. Raoni Zambi é jornalista formado pela Puc-Campinas, estudou comunicação política na USP (Universidade de São Paulo), fez um curso de Marketing Digital no Senac, trabalhou em jornais impressos diários, assessorias de imprensa, em campanhas eleitorais vitoriosas, coordena pesquisas eleitorais e foi assessor de políticos. Atualmente é aluno de pós-graduação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), no Labjor.
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