
A Secretaria de Cultura de Mogi Guaçu lançou um concurso de beleza para selecionar 12 belas mulheres de países que contribuíram para a formação e desenvolvimento do Brasil. No entanto, nenhuma nação africana, ou de povo indigena, consta na lista de estados que serão homenageados pela administração.
Os povos que estão representados no concurso são: Alemanha, Bélgica, Brasil, Itália, Espanha, Portugal, Argentina, Holanda, Estados Unidos, México, Líbano e Reino Unido.
Para piorar, o fenótipo, ou tipo físico predominante das nações escolhidas são de mulheres brancas e loiras. Segundo a prefeitura, o objetivo principal desse evento é “valorizar as diversas culturas que contribuíram para a formação da sociedade brasileira”. “Queremos despertar a sensibilização da população em geral para a importância e riqueza das diferentes culturas”, diz outra parte da nota enviada pelo governo de Falsetti.
Evidentemente, as pessoas que integram a gestão de Rodrigo Falsetti, e o próprio prefeito, estão reproduzindo racismo estrutural, e faltaram às aulas de história do Brasil.
Em 523 anos, tivemos três séculos em que mulheres do continente africano foram trazidas à força para Terra de Vera Cruz, o primeiro nome dado aos invasores portugueses ao Brasil. Todas eram negras.
Portanto, seria mais do que sensato e coerente que o concurso tivesse algum país africano, até para fazer jus ao divulgado pela Secretaria de Cultura. Dezenas de milhares de mulheres de territórios, atualmente conhecidos como os países de Moçambique, Angola e do Golfo do Benin, vieram para serem vilipendiadas com o trabalho forçado e exploratório no Brasil.
Além disso, a força feminina dos povos originários também contribuiu, e muito, para a formação cultural, econômica e social do Brasil. Mas barbaramente nenhum desses povos está representado na festa das "Nações" de Mogi Guaçu.
O esquecimento, intencional e por falta de caráter ou por pura ignorância, desses povos historicamente excluídos no concurso de beleza, tem relação direta com o racismo estrutural.
Para parte da sociedade, somente os europeus foram, de fato, relevantes para a formação do país. Ao excluir negras e índias, a gestão de Rodrigo Falsetti mostra-se ignorante com a história de nosso povo, e incrivelmente segregacionista e racista. A verdade é essa.
Para minimizar a postura criminosa e vexatória, a Secretaria de Cultura de Mogi Guaçu faria muito bem em divulgar um pedido de desculpas e incluir, de forma mais do que justa, as etnias agora excluídas do referido concurso de beleza. E está dito.
OUTRO LADO
No final da tarde de quarta-feira, a Secretaria de Cultura de Mogi Guaçu enviou o seguinte posicionamento:
"A Secretaria Municipal de Cultura esclarece, de pronto, que é irresponsável e inverídica a informação de que o Concurso Rainha das Nações exclui mulheres negras e indígenas. Esclarece ainda que as diretrizes do concurso fazem referência objetiva à agenda gastronômica da Festa das Nações, com alusão específica às nacionalidades que estarão representadas nas operações de alimentação disponíveis para o evento. Entre elas, é preciso ressaltar, está a brasileira, país de população majoritariamente negra e parda e de cultura fundamentalmente influenciada pelas heranças africana e dos povos originários. A afirmação, portanto, de que a iniciativa "exclui mulheres negras e indígenas" é uma infeliz negação da nossa própria história. Informação falsa, absolutamente incompatível com a realidade e com a boa prática jornalística, que reserva espaço à crítica, mas jamais à mentira.
A Secretaria ressalta, por fim, que defende todas as etnias, sem qualquer tipo de discriminação e preconceitos, e que promove durante todo o ano ações que contribuem para difundir a cultura africana, indígena e de outros povos que, por força de limitações práticas e logísticas do evento, não foram destacados nesta oportunidade, como árabes, judeus, asiáticos e outros".
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