
Rico, médico, de família tradicional e notório por defender medidas que na prática prejudicam a vida dos pobres, o prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), mostrou todo o ódio, agora camuflado por política pública de habitação, que sente pelas famílias carentes da cidade. Saadi lançou um programa habitacional com casas de 15 metros quadrados para abrigar aproximadamente 415 pessoas. Trata-se de mais um caso de aporofobia.
Além de minúsculas, as residências não possuem janelas, nem qualquer tipo de divisória. Na verdade, as moradias são menores que “casinhas de cachorro” que gente como Dário usa como moradia para os pets domésticos. Por tudo isso, a prefeitura ainda gastará a fábula de R$ 6 milhões.
Campinas é uma cidade rica, com boa arrecadação de tributos, conhecida pelas universidades de ponta e empresas do setor de construção. Com boa vontade, parcerias com as faculdades de arquitetura e engenharia civil da Unicamp e Puc-Campinas e com a iniciativa privada, por exemplo, seria possível melhorar o projeto, com foco em moradias maiores e mais confortáveis para as 116 famílias que irão para o Residencial Mandela, no Dic-5.
No entanto, para o prefeito de Campinas, além do ódio pelos pobres, falta bom senso, competência, gestão qualificada e real interesse em melhorar a vida daqueles que mais precisam.
Gostaria que Dário Saadi morasse, por um mês, nas “casinhas de cachorro” como castigo por ter aprovado esse projeto infame contra famílias em situação de vulnerabilidade social. Seria muito justo, e um aprendizado para o “prefeito playboy”. Em 2024, estarei na torcida para o eleitorado se lembrar desse ato de desumanidade e covardia.
ATUALIZAÇÃO
NOTA PÚBLICA da Ocupação Nelson Mandela
Diante de uma série de reportagens enviesadas sobre parte da solução do loteamento Nelson Mandela, depois de tanta luta, cumpre apontar o seguinte:
Não sabemos o quanto os jornalistas e veiculadores destas reportagens conhecem sobre os elementos da história da luta da Ocupação Nelson Mandela. Não sabemos, inclusive, se chegaram a acessar os autos do processo e os termos firmados com a COHAB.
Não sabemos, também, se quem falou ou escreveu criticando os embriões, já morou em uma casa de barraco e sofreu uma reintegração de posse tão violenta como a que sofremos em 2017.
Não são "casas de sapato", como alguns jornalistas de forma ofensiva escreveram. Trata-se de um embrião, ou seja, uma primeira etapa das casas definitivas para as nossas famílias. Estes embriões foram uma conquista, diante do que podia ser construído no prazo de 4 meses que o juiz fixou. O embrião não é a casa em si. As famílias conquistaram seus lotes de 90m² e as casas ainda serão construídas com o tempo. Vemos os lotes e os embriões como uma vitória fruto de uma história de lutas da Comunidade, mas a luta continuará! Estamos lutando para garantir financiamento via FUNDAP para a conclusão de nossas casas. Inclusive, outras contribuições também serão bem vindas, basta entrar em contato conosco.
O loteamento Nelson Mandela contemplará não somente as 100 famílias de nossa ocupação, mas mais de 250 outras famílias que lutam por moradia. É um bairro com toda a infraestrutura, devidamente urbanizado. O espaço do loteamento Nelson Mandela era uma propriedade pública sem uso social, e agora garantirá um bairro. É importante que a situação seja vista como um filme e não como uma fotografia.
Sugerimos que nossa luta seja acompanhada mais de perto e não somente agora. O que essa série de reportagens nos parece é que só agora alguém ficou preocupado com a dignidade e as condições de moradia das nossas famílias. Não se viu esta mesma indignação por parte da imprensa quando os barracos das nossas famílias pegavam fogo e nossas crianças dormiam na rua, enquanto a primeira reintegração de posse da comunidade Nelson Mandela acontecia.
Ainda hoje, milhares de famílias estão vivendo em moradias precárias e em áreas de risco na cidade de Campinas, enquanto grandes áreas permanecem vazias no território urbano, sem cumprir a função social da propriedade e servindo à especulação imobiliária. Quantos destes imóveis cumprem efetiva função social? Quantos estão devidamente ocupados? Quantos pagam IPTU em dia? Qual prejuízo a especulação imobiliária causa ao município e às famílias de baixa renda? Afinal, quantos imóveis estão desocupados no município de Campinas?
Garantimos que as respostas para estas perguntas causarão maior indignação do que o tamanho das moradias provisórias conquistadas pela comunidade Nelson Mandela.
Quem se interessar em saber mais sobre nossa história e ajudar a continuar construindo nossa luta, entre em contato conosco! Todo apoio é sempre muito bem vindo! Estamos na luta para garantir o financiamento para as ampliações dos embriões, e materiais de construção, ferramentas ou outras formas de ajuda também são muito bem vindas!
Ass: Coordenação da Ocupação Nelson Mandela

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