
“Joga pedra na Karol; Joga bosta na Karol; Ela é feita pra apanhar; Ela é boa de cuspir; Ela dá pra qualquer um; Maldita Karol”. Pelo que parece, o Brasil elegeu outra Geni. Trata-se de uma mulher negra, mãe solteira, que lutou sozinha para chegar onde está e que sempre teve o mundo contra si, por todas as razões históricas que tão bem conhecemos.
Não é possível negar que a rapper karol Conká assumiu um comportamento desprezível nesta edição do Big Brother Brasil. Ela humilhou Lucas. Promoveu altercações. Xingou. Ofendeu. Gritou.
No entanto, devemos nos lembrar que se trata de um jogo. Karol errou e deve receber algum tipo de punição, mas na medida certa, com Justiça. Talvez a perda de privilégios ou pontos no BBB. E só.
A cantora não matou ninguém. Não promoveu a cloroquina e nem disse que “não vou tomar a vacina”, ou foi irresponsável ao lidar com uma pandemia que já matou 230 mil brasileiros. O filho dela, Jorge, um garoto de 15 anos, está até recebendo ameaças de morte. Percebem a violência desmedida que está sendo praticada contra Karol?
Mas o “Brasil continua o “Brazil”. Na escravidão, mulheres negras consideradas “ousadas” tinham os dentes “arrancados” caso as “sinhás” sentissem algum tipo de ciúmes. Isso para não mencionar os casos de violência sexual e sevícias de toda sorte.
O lado perverso é que, mais uma vez, empresários ricos, a maioria homens brancos, estão lucranco muito dinheiro, milhões de reais, com o espancamento moral de negros, exatamente como foi na escravidão. As malcriações de Karol estão dando audiências colossais. Os patrocinadores, com certeza, estão felizes. Afinal, suas marcas estão aparecendo, e muito. Tristemente, a história faz questão repetir-se de forma covarde e nos tempos de hoje, de forma dissimulada.
Além disso, os racistas, que sempre estão contra qualquer luta de emancipação reinvindicada pelo negros, agora, tomam uma ínfima parte pelo todo para desqualificar pautas legítimas de milhares de afrobrasileiros. Tais lutas, como o combate ao racismo estrutural, no palavreado desonesto deles, é apenas “lacração da Karol".
Na verdade, o alvo desse tipo de gente não é Karol Conka, Lumena, Projota ou Nego Di, mas as políticas afirmativas, como as cotas étnicas, o ingresso de jovens negros na universidade e as lutas por igualdade racial. Eles se regozijam quando ficam sabendo que 75% dos assassinatos cometidos pela polícia são contra homens negros e que as mulheres pretas recebem os menores salários no Brasil. Portanto, voltemos à realidade.
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