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Tomás Paiva, novo comandante do Exército Brasileiro, demonstra estatura moral para ser o “novo General Lott” (COLUNA DO RAONI)

Leia a coluna do jornalista Raoni Zambi

22/01/2023 às 02h05 Atualizada em 22/01/2023 às 19h35
Por: Zatum Notícias Fonte: RAONI ZAMBI
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APERTO DE MÃO E CONFIANÇA: LULA E TOMÁS PAIVA (Crédito: Ricardo Stuckert)
APERTO DE MÃO E CONFIANÇA: LULA E TOMÁS PAIVA (Crédito: Ricardo Stuckert)

Em 1955, o democrata e general Teixeira Lott (1894-1984) garantiu a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek e seu vice João Goulart - o Jango -, no episódio que ficou conhecido como “Movimento 11 de Novembro”.  À época, Lott chegou a colocar tropas nas ruas para garantir a manutenção da ordem democrática vigente. 

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Golpistas ligados ao jornalista Carlos Lacerda e à UDN (União Democrática Nacional) planejavam uma ruptura institucional na base da força, em situação “historicamente parecida” com as patuscadas lideradas, à distância,  por Bolsonaro e executada pelos "bandoleiros do 8 de janeiro”, em Brasília, em que a depredação dos prédios dos Três Poderes foi o ponto culminante. 

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Os canalhas do passado não queriam que o eleito governasse, tal qual como ainda infelizmente acontece em pleno 2023, com Lula. 

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Se Lott, o general do respeito à Constituição e à hierarquia militar garantiu Kubitschek no poder, o discurso que o novo comandante do Exército Brasileiro, Tomás Paiva, proferiu, na quarta-feira (18), em São Paulo, sobre “respeito ao resultado das urnas e à Constituição”, “apartidarismo” entre as tropas, profissionalismo”, e obediência à hierarquia” rememora, com muita honra, a trajetória do grande militar defensor da democracia.

Com a morte do presidente Getúlio Vargas, que cometeu suicidiou com um tiro no peito, em 24 de agosto de 1954, para estancar um golpe, assumiu a Presidência da República Café Filho. No entanto, o mandatário interino sofreu um infarto, no final de 1955, e assumiu em seu lugar Carlos Luz, presidente da Câmara,  com pretensões nitidamente golpistas. 

Luz teve a pachorra de não punir o coronel udenista Jurandir de Bizarria Mamede, que em discurso realizado num velório defendeu, de forma covarde, o não cumprimento das decisões da Justiça Eleitoral e que Kubitschek não assumisse. Como se nota, a contaminação politiqueira e criminosa da caserna vem de longe. 

Lott, num ato de coragem e apego incondicional ao Estado Democrático de Direito, declarou o impedimento de Carlos Luz, e interinamente assumiu o governo federal Nereu Ramos, então presidente do Senado. Dessa forma, os eleitos no pleito de 1955 puderam assumir o Palácio do Planalto no início de 1956 e fizeram um bom governo. 

Depois, com a renúncia de Jânio Quadros, em 1961,  Marechal Odílio Denis queria prender o pela segunda vez vice-presidente João Goulart , que estava em viagem oficial à China. Tudo para impedir a sucessão, prevista na Constituição, importante salientar, de um “getulista”, também erroneamente visto como “comunista”. 

Lott, mais uma vez, usou a sua influência nos meios militares e articulou para que Jango não fosse preso e assumisse o cargo, mesmo que num “parlamentarismo às avessas”. Por mais esse ato de coragem, o "Marechal Democrata" ficou preso 30 dias.

O final dessa história foi o golpe de 1964, que assolou o Brasil, durante 21 anos, numa ditadura. Triste com a repressão brutal e com o fim das eleições diretas para presidente, Lott ficou recluso até 1984, quando morreu. Ele não teve em seu sepultamento honras militares. Uma vergonha para o Exército de Duque de Caxias. 

Agora, guardadas as devidas proporções, parece que a história se repete com Tomás Paiva “sendo o Lott dos tempos atuais”, ao ser uma espécie de “avalista” da democracia entre as Forças Armadas e por conquistar a confiança de Lula . 

Entretanto, torço para que o líder petista não termine como Getúlio, mas que faça “40 anos em 4", para imitar Juscelino. E desejo muito que o povo brasileiro nunca mais viva um 31 de março de 1964, dia do insidioso Golpe Militar. 

 

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Sobre o blog/coluna
Espaço para comentários sobre cidades da Região de Campinas. Raoni Zambi é jornalista formado pela Puc-Campinas, estudou comunicação política na USP (Universidade de São Paulo), fez um curso de Marketing Digital no Senac, trabalhou em jornais impressos diários, assessorias de imprensa, em campanhas eleitorais vitoriosas, coordena pesquisas eleitorais e foi assessor de políticos. Atualmente é aluno de pós-graduação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), no Labjor.
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