
Em 1955, o democrata e general Teixeira Lott (1894-1984) garantiu a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek e seu vice João Goulart - o Jango -, no episódio que ficou conhecido como “Movimento 11 de Novembro”. À época, Lott chegou a colocar tropas nas ruas para garantir a manutenção da ordem democrática vigente.
Golpistas ligados ao jornalista Carlos Lacerda e à UDN (União Democrática Nacional) planejavam uma ruptura institucional na base da força, em situação “historicamente parecida” com as patuscadas lideradas, à distância, por Bolsonaro e executada pelos "bandoleiros do 8 de janeiro”, em Brasília, em que a depredação dos prédios dos Três Poderes foi o ponto culminante.
Os canalhas do passado não queriam que o eleito governasse, tal qual como ainda infelizmente acontece em pleno 2023, com Lula.
Se Lott, o general do respeito à Constituição e à hierarquia militar garantiu Kubitschek no poder, o discurso que o novo comandante do Exército Brasileiro, Tomás Paiva, proferiu, na quarta-feira (18), em São Paulo, sobre “respeito ao resultado das urnas e à Constituição”, “apartidarismo” entre as tropas, profissionalismo”, e obediência à hierarquia” rememora, com muita honra, a trajetória do grande militar defensor da democracia.
Com a morte do presidente Getúlio Vargas, que cometeu suicidiou com um tiro no peito, em 24 de agosto de 1954, para estancar um golpe, assumiu a Presidência da República Café Filho. No entanto, o mandatário interino sofreu um infarto, no final de 1955, e assumiu em seu lugar Carlos Luz, presidente da Câmara, com pretensões nitidamente golpistas.
Luz teve a pachorra de não punir o coronel udenista Jurandir de Bizarria Mamede, que em discurso realizado num velório defendeu, de forma covarde, o não cumprimento das decisões da Justiça Eleitoral e que Kubitschek não assumisse. Como se nota, a contaminação politiqueira e criminosa da caserna vem de longe.
Lott, num ato de coragem e apego incondicional ao Estado Democrático de Direito, declarou o impedimento de Carlos Luz, e interinamente assumiu o governo federal Nereu Ramos, então presidente do Senado. Dessa forma, os eleitos no pleito de 1955 puderam assumir o Palácio do Planalto no início de 1956 e fizeram um bom governo.
Depois, com a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, Marechal Odílio Denis queria prender o pela segunda vez vice-presidente João Goulart , que estava em viagem oficial à China. Tudo para impedir a sucessão, prevista na Constituição, importante salientar, de um “getulista”, também erroneamente visto como “comunista”.
Lott, mais uma vez, usou a sua influência nos meios militares e articulou para que Jango não fosse preso e assumisse o cargo, mesmo que num “parlamentarismo às avessas”. Por mais esse ato de coragem, o "Marechal Democrata" ficou preso 30 dias.
O final dessa história foi o golpe de 1964, que assolou o Brasil, durante 21 anos, numa ditadura. Triste com a repressão brutal e com o fim das eleições diretas para presidente, Lott ficou recluso até 1984, quando morreu. Ele não teve em seu sepultamento honras militares. Uma vergonha para o Exército de Duque de Caxias.
Agora, guardadas as devidas proporções, parece que a história se repete com Tomás Paiva “sendo o Lott dos tempos atuais”, ao ser uma espécie de “avalista” da democracia entre as Forças Armadas e por conquistar a confiança de Lula .
Entretanto, torço para que o líder petista não termine como Getúlio, mas que faça “40 anos em 4", para imitar Juscelino. E desejo muito que o povo brasileiro nunca mais viva um 31 de março de 1964, dia do insidioso Golpe Militar.
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