
Lula é um grande mestre da pirotecnia política. Sabe, como poucos, produzir espetáculos retóricos e de misancene. Arguto, o cacique petista aprendeu com o tempo a equalizar cada discurso e posicionamento para a plateia da vez.
Para abestalhados da esquerda branca, o ex-metalúrgico se comporta como um revolucionário caricato dos anos setenta. Se estiver com agentes poderosos da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), ou com os principais representantes do mercado, apelidados de “Farialimers”, o discurso tratará de responsabilidade fiscal, investimentos e respeito às “regras do jogo”. Lula também sabe se comunicar e articular de forma magistral com o “centrão”.
No entanto, mais uma vez, para a comunidade afro-brasileira a conta não fecha e o discurso de inclusão não se materializa na realidade, apesar de representar aproximadamente 56% da população brasileira, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Não há pretos nos mistérios chaves, com os maiores orçamentos e influência política, como os da Educação, Justiça, Saúde, Planejamento, Casa Civil, Economia, Forças Armadas, Desenvolvimento Social, ou em presidências de órgãos como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social).
Realmente, quadros importantes e competentes como Silvio de Almeida, na pasta de Direitos Humanos; Marina Silva no Meio Ambiente e Margareth Menezes na Cultura sinalizam avanços, mas tais postos são apenas subalternos na estrutura federal, principalmente quando comparados, em importância, com os ministérios listados acima.
Há milhares de negros no Brasil capazes para ocupar os postos mais importantes do governo federal. Por qual motivo nenhum preto ou preta foi nomeado para os ministérios realmente decisórios? Silvio de Almeida, com certeza, diria que é em razão do “racismo estrutural”. Presidente, aprenda com o seu escolhido.
Por exemplo, na reunião desta segunda-feira (09), em Brasília, sobre os atos terroristas dos criminosos bolsonaristas contra os prédios dos Três Poderes, não havia nenhuma pessoa negra na mesa de decisão.
A vitória eleitoral de 2022 foi construída numa frente ampla com liberais, como João Amoêdo, integrantes do centrão fisiológico como os Calheiros e os Barbalho, pragmáticos como Márcio França, e, principalmente, com a força existencial dos pretos, pobres, mulheres e nordestinos.
Lula, as minorias historicamente excluídas não vão aceitar apenas migalhas, e um espaço opaco no retrato, para vossa excelência ter o argumento de que o governo é plural e inclusivo. Estamos atentos, acredite. Queremos o protagonismo que nos é devido.
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