
Nem os melhores roteiristas seriam capazes de escrever uma história tão magnífica como a vida de Lula: nascido pobre, abandonado pelo pai, veio de Pernambuco para São Paulo num pau-de-arara, peão de fábrica, sindicalista, fundador de partido, candidato três vezes derrotado à presidência, vence e se torna o governante que proporcionou dignidade para milhares de brasileiros, preso injustamente por 580 dias, solto e o cidadão que venceu o barbárie e o fascismo à brasileira no pleito de 2022. Até Homero sentiria inveja por não ter escrito essa epopéia do nosso "Odisseu nordestino".
Gênio político, Lula também é simplesmente formidável em sua comunicação, no contato com o eleitorado. Se em 2016 ele foi transformado em cinzas pelo lavajatismo, tal como uma fênix, o retirante literalmente teve a habilidade de sair da prisão para voar até o Palácio do Planalto, numa posse carregada de emoção e simbolismos, ao receber a faixa de uma mulher negra, indígenas, pessoas com deficiência e trabalhadores.
Tudo isso foi muito bem comunicado pelas redes sociais e televisão. O espetáculo, realmente, foi muito bem roteirizado. Porém, a vida real é pragmática e se impõe de forma avassaladora. Agora, Lula precisa de um bom roteiro de governo para honrar seu passado, deveras, gloriso.
É necessário desmontar o aparato fascista instalado em praticamente todas as instâncias do governo federal. Depois, é urgente retomar a industrialização, gerar milhares de empregos, erradicar as filas de ossos país afora, garantir comida no prato, garantir educação emancipadora e incluir milhares de brasileiros que estão fora dos espaços básicos de civilidade.
Também é fundamental criar políticas públicas eficientes para reduzir o número de homicídios, rever o código penal para punir com rigor crimes hediondos, como estupros e assassinatos, promover o desenvolvimento econômico, no campo e na cidade, respeitando os recursos naturais e olhar com atenção para a adicção de milhares de compatriotas, que estão praticamente em todas as cidades como zumbis, consumindo de forma desenfreada o crack.
Os desafios são hercúleos. Mas Lula é Lula. Assim, mais uma vez, desejo para a realidade da vida do presidente os belos versos do brilhante poeta e cantor da nova safra da MPB Caio Prado: Roteirista/Não complica/ Capricha o céu pra nós/ Escreve um bom final pra nós.
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