Cidades Fábula
Para os amigos do rei, a vida; para o povo, a morte
Leia a coluna do jornalista Raoni Zambi
19/03/2022 21h13
Por: Zatum Notícias Fonte: Raoni Zambi
Rei trapaceiro desvio doses do elixir e perdeu a coroa (Crédito: spiritfanfiction)

Em determinado reino, numa época que não podemos classificar como sendo passado, futuro ou presente, ocorreu uma história de vida e morte. Preste atenção, caro leitor. Irei gastar um pouquinho de seu tempo para narrar fatos muito importantes. 

Uma doença mortífera se espalhou pelo mundo afora. O desespero estava na ordem do dia. Muitos idosos, enfermos e pobres, quando eram infectados pela moléstia, rapidamente morriam. 

Até jovens belos e vigorosos, com uma existência para desfrutar,  faleceram em decorrência da mazela. 

Mas a esperança e a inteligência são substantivos inerentes da realidade humana.  Sábios, que moravam muito longe, descobriram um elixir esplendoroso, com poder de curar todo aquele mal. 

Alquimistas de todos os lugares aprenderam a receita do remédio. A produção, que no início era muito pequena, foi enviada em doses contadas para a terra inteira. 

Como forma de Justiça, a cura deveria ser distribuída, em primeiro lugar, para quem mais precisava, ou seja, os idosos, adoentados e pessoas que combatiam a praga e cuidavam dos enfermos. 

Porém, o rei desse pedaço de chão do qual estamos falando, um homem muito mau, mas que fingia ser bom, na calada da noite, com comparsas trapaceiros, subtraíram doses do elixir  e deram, passando à frente de quem deveria receber a sua parte, para parentes, amigos e ministros poderosos. 

Com isso, muita gente foi pega pela doença e morreu.  Essas pessoas deveriam viver, mas porque foram enganadas e passadas para trás pelo rei, sofreram essa grave e irreparável injustiça. 

Homens bons daquele reino descobriram essa maldade. E, como era de se esperar, ficaram enfurecidos com aquela trapaça, contra a saúde coletiva de todos os súditos. 

Para fazer Justiça, os homens bons denunciaram a história na Justiça, e contaram para a comunidade a crueldade e enganação que tinha ocorrido. Todos ficaram revoltados e, num ato de honra e coragem, expulsaram o rei mau de seu posto. 

Como grande covarde que é, o rei tentou esconder a história, manipular e mais uma vez trapacear. Mas as provas dos desvios, ou furtos, do elixir eram incontestáveis. A única saída foi o silêncio e o banimento eterno da vida pública. 

O rei mau fugiu com muito ouro, desviado dos cofres públicos, para um lugar distante.

Mesmo muito rico,  o pérfido nunca conseguiu ter nenhum tipo de felicidade. 

As almas penadas dos súditos que morreram, porque ficaram sem o elixir que lhes era devido, o atormentam com visões medonhas, gargalhadas sinistras e perturbações indizíveis. 

Depois do luto, muito choro e sofrimento, e principalmente, tempo, o reinado voltou a ser um lugar de esperança, paz, acolhimento, bondade e de igualdade entre os humanos.  

Continua nas próximas colunas...