Cidades Monte Mor
Edivaldo Brischi é denunciado à Polícia Federal no caso dos “médicos fantasmas”
Procurado, prefeito disse que não iria comentar o assunto
14/03/2022 11h40 Atualizada há 4 anos
Por: Zatum Notícias Fonte: Raoni Zambi
Edivaldo Brischi foi denunciado na Polícia Federal (Crédito: divulgação)

O prefeito de Monte Mor, Edivaldo Brischi (PTB), foi denunciado à PF (Polícia Federal) no caso dos “médicos fantasmas”. A denúncia foi realizada por Humberto Hiroshi, integrante da Frente Popular de Combate à Corrupção.

“Ficamos chocados quando descobrimos que R$ 700 mil foram supostamente desviados para o pagamento de médicos que não trabalharam um dia sequer. Quando isso acontece, a população é muito prejudicada. Na cidade, tem faltado até medicamentos básicos. Esse dinheiro deveria ter sido usado para beneficiar a comunidade”, afirmou Hiroshi.

De acordo com o denunciante, nas últimas semanas, a Frente começou a acompanhar o caso “de perto”. 

“A nossa entidade atua em todo o Estado de São Paulo. Agora, a nossa lupa está no município. Temos advogados, profissionais de diversas áreas e pessoas comprometidas em combater a corrupção prestando atenção nos contratos da saúde, e de outros setores da administração pública local”, disse. 

Brischi liberou, em agosto e setembro do ano passado, R$ 700 mil para o pagamento de médicos do Cismetro (Consórcio Intermunicipal de Saúde na Região Metropolitana de Campinas).

Porém, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), em que os profissionais deveriam atuar, estava fechada quando os pagamentos foram realizados. O espaço foi inaugurado no final de setembro do ano passado. No período, foram realizados ao menos dois pagamentos com recursos públicos para profissionais que não prestaram nenhum tipo de serviço à comunidade. 

A maior parte dos recursos é federal. Por isso, a denúncia também foi realizada na PF. 

A Câmara apura o caso por meio de uma CP (Comissão Processante), que pode resultar na cassação de Brischi no início de abril, quando o procedimento será finalizado.   O MP (Ministério Público) também investiga a situação. 

Outro Lado

Edivaldo Brischi foi procurado para se manifestar sobre a denúncia na Polícia Federal. Por meio de sua Assessoria de Imprensa, o prefeito disse que não iria enviar nenhum posicionamento sobre o problema. 

A Polícia Federal também foi procurada pelo Portal Zatum. Foi questionado se a denúncia de Humberto Hiroshi vai virar um inquérito. A reportagem aguarda o retorno sobre as perguntas enviadas. 

Histórico

Segundo o presidente do Conselho de Saúde de Monte Mor, Edmilson da Silva Monteiro, os conselheiros tiveram acesso às planilhas de pagamentos da Secretaria de Saúde, referentes aos meses de agosto e setembro do ano passado, nas quais constam pagamentos aos médicos, mesmo com a unidade de saúde ainda fechada.

“A UPA foi inaugurada no dia 30 de setembro de 2021. No entanto, nas prestações de contas do Cismetro, há pagamentos realizados em agosto e setembro. Ou seja, a unidade estava fechada e pagamentos foram feitos. Naturalmente, isso causou dano ao erário público”, explicou Monteiro. 

No total, foram pagos com dinheiro público 44 médicos em agosto, e mais 60 médicos em setembro, de acordo com o Conselho de Saúde. “A questão é que a UPA estava fechada. Esses profissionais foram pagos, mas não prestaram nenhum serviço”, disse o presidente do Conselho. 

Comissão Processante

Brischi prestou depoimento à CP em fevereiro deste ano. Ele disse que o responsável pelos pagamentos foi o  ex-secretário de Saúde de Monte Mor Silvio Antônio Corsini. 

Também em depoimento para os vereadores, Corsini relatou que a responsabilidade final por liberar os pagamentos é do prefeito. Veja aqui. 

Caso o Chefe do Executivo seja cassado em abril, assume o vice-prefeito Ronaldo Tuim (Solidariedade). Ambos estão rompidos politicamente.