A Câmara de Elias Fausto pagou R$ 8.500 por um iPhone 14 Pro que, segundo o MP (Ministério Público), era usado e estava com a garantia vencida desde junho de 2024. Em decisão de 29 de setembro, à qual o Zatum teve acesso, o juiz Luis Carlos Martins, da 2ª Vara de Monte Mor, bloqueou bens do ex-presidente da Câmara João Carlos Fernando Penariol, do ex-diretor geral Giovanni Clauzzio Diello e da loja Big House Presentes, de Gilberto Martins, até R$ 8.500. O juiz também suspendeu a empresa de novas compras da Câmara.
A compra foi feita sem licitação, em abril de 2025. Para justificar o preço, a Câmara juntou três orçamentos. Segundo o promotor Pedro José Rocha e Silva, um deles, de uma loja de informática de Capivari, foi entregue à Câmara pelo próprio dono da Big House, a vencedora. Procurada pela Promotoria, a loja de Capivari respondeu por mensagem que não trabalhava com celular, informação que negou depois.
Na justificativa da compra, a Câmara disse que o iPhone serviria para transmitir as sessões ao vivo nas redes sociais e gravar vídeos institucionais, e citou o "ecossistema Apple" como vantagem. Segundo a ação, porém, a Câmara não tinha nenhum aparelho da marca, já transmitia as sessões antes da compra e continuou transmitindo depois que o celular foi apreendido. O Ministério Público (MP) calcula que um iPhone 14 Pro novo custava em média R$ 5.450 em abril de 2025.
Para o juiz, os documentos mostram, em tese, a possibilidade de direcionamento da contratação e de dano aos cofres públicos. O caso também é investigado em inquérito policial. Os quatro réus têm 30 dias para apresentar defesa.
A reportagem procurou a Câmara de Elias Fausto, João Carlos Fernando Penariol, Giovanni Clauzzio Diello e a Big House Presentes e aguarda retorno.